Terça-feira, 13 de outubro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 12 de setembro de 2026
O Supremo Tribunal Federal (STF) mergulhou em sua crise mais grave desde que mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro foram divulgadas, em 1º de setembro de 2026.
Ex-controlador do Banco Master, Vorcaro foi preso em novembro de 2025. Ele é investigado por suspeita de cometer fraudes financeiras estimadas em R$ 12,2 bilhões.
É do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, que a PF extraiu todas as mensagens. A polícia conseguiu recuperar prints — que o banqueiro escrevia e enviava via WhatsApp usando o recurso de visualização única — mesmo depois de esses arquivos terem sido apagados.
Nas mensagens, Vorcaro cobra da equipe do banco que o pagamento ao escritório da mulher de Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, nunca atrase. O contrato, da ordem de R$ 131 milhões, não teve seu conteúdo divulgado no inquérito da PF.
Também nas mensagens, o ex-controlador do Master autoriza a emissão de cartões de crédito para os filhos do ministro, no limite de R$ 300 mil cada.
As mensagens mostram ainda que, ao longo de 13 dias, em novembro de 2025, Vorcaro intensificou os apelos a Moraes para tentar impedir a liquidação do banco e o avanço das investigações.
O que diz Vorcaro: A defesa do banqueiro já tentou reverter a prisão por habeas corpus, alegando ausência de “fatos concretos”.
Segundo o relatório da PF, não há nenhum contato salvo no celular de Vorcaro com o nome de Paulo Gonet, o procurador-geral da República (PGR). A PF identifica apenas referências indiretas, em conversas do banqueiro com o advogado do Master, Ciro Soares, que teria intermediado o contato entre Vorcaro e o Procurador-geral da República em 2025.
Entre os indícios, estão uma selfie de Ciro ao lado de Gonet, um pedido para custear a viagem do filho de Gonet, identificado como Pedro Gonet, a um evento em Londres, e mensagens que Ciro atribui a Gonet, como “Gonet é firme” e “PG confirmou a ida para Londres”.
O relatório da PF não confirma que “PG” seja Gonet, mas outras menções no documento, como a referência ao filho Pedro, reforçam essa leitura.
Como PGR, Gonet é a autoridade que deveria conduzir uma eventual investigação contra Moraes. Mas na noite de 1º de setembro — mesmo dia em que o relatório veio a público — ele pediu a Mendonça a anulação de toda a apuração da PF, alegando que o ministro excedeu seus poderes ao mandar a polícia investigar um colega da Corte sem aval prévio do plenário e que, pelo Código de Processo Penal, não cabe a um juiz conduzir investigações pré-processuais — papel que seria da Polícia Judiciária e do próprio Ministério Público, que é chefiado pelo PGR.
O que diz Gonet: O procurador-geral não comentou o fato de ele próprio aparecer no relatório da PF.
Andrei Rodrigues é o diretor-geral da Polícia Federal. Não aparece em troca de mensagens diretas com Vorcaro, mas é citado como destinatário do pedido do banqueiro a Moraes, em 30 de outubro de 2025, quando o banqueiro pede que o ministro “reforçasse” com “Andrei e Paulo” para que ninguém “de baixo” atrapalhasse seus interesses — a PF interpreta que “Andrei” seria Andrei Rodrigues, e “Paulo”, o procurador-geral Paulo Gonet.
Também aparece em tratativas, articuladas pelo ex-ministro Fábio Faria, sobre um convite para um evento jurídico em Londres, com despesas bancadas por um grupo ligado ao Master.
A situação de Andrei virou um pingue-pongue dentro do próprio STF em menos de 24 horas. Na terça-feira (8/9), Mendonça determinou seu afastamento preventivo da direção-geral da PF, cinco dias depois de Moraes ter pedido a Fachin a investigação contra o colega de Corte — segundo Mendonça, Andrei e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa, também afastado, teriam produzido ao menos seis “relatórios de inteligência” sigilosos entre 3 e 31 de agosto de 2026, monitorando de forma ilegal o próprio Mendonça e o advogado-geral da União, Jorge Messias.
O que diz Andrei: O diretor-geral da PF não se manifestou publicamente até a publicação desta reportagem.
Viviane Barci de Moraes é esposa de Alexandre de Moraes e sócia-diretora do escritório de advocacia que leva os sobrenomes do casal.
O contrato de R$ 131 milhões entre o escritório e o Master é o fio condutor de boa parte da história: Viviane enviou a Vorcaro a primeira minuta do documento em 11 de janeiro de 2024. A edição final do arquivo, segundo a PF, foi feita por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”, em 15 de janeiro. O contrato foi assinado ainda naquele mês, no valor de por volta de R$ 3 milhões mensais, por três anos.
O que diz Viviane e o escritório: o escritório afirmou que seu setor de compliance consultou o próprio Moraes sobre eventuais impedimentos antes de fechar o contrato — para verificar se havia alguma restrição, como processos sob relatoria dele no STF ou julgamentos de interesse do banco —, mas concluiu que não havia problema, já que o ministro nunca havia atuado em causas do Master. Com informações da BBC News.
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