Sábado, 22 de agosto de 2026

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Voltar Quem é a Avibras, empresa de defesa que pode ser comprada pelos irmãos Batista, da JBS

Os irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS, estão prestes a ampliar novamente o campo de atuação de seus negócios. O Grupo J&F, holding da família, está fechando a compra de 100% da Avibras, uma das principais empresas brasileiras dos setores de defesa e aeroespacial, apurou a coluna Capital. A aquisição ocorre poucos meses depois de Joesley participar de um aporte de R$ 300 milhões na companhia.

A chegada dos Batista acontece depois de um dos períodos mais turbulentos da história da Avibras. A companhia entrou em recuperação judicial em 2022, com uma dívida de cerca de R$ 600 milhões, e passou mais de três anos com a produção paralisada. Os trabalhadores chegaram a ficar 1.281 dias em greve, em um movimento iniciado em setembro de 2022. As atividades foram retomadas em maio deste ano, depois de um acordo para o pagamento de cerca de R$ 230 milhões em dívidas trabalhistas.

A empresa também voltou a ocupar espaço na agenda do governo federal. Em julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a fábrica da Avibras em Jacareí, no interior de São Paulo, já com a produção retomada. Durante a visita, Lula defendeu o aumento dos investimentos brasileiros em defesa e afirmou que o país precisa estar preparado diante de um cenário internacional de conflitos.

Fundada em 1961 por engenheiros formados pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Avibras nasceu no Vale do Paraíba, região que se tornou um dos principais polos aeroespaciais e de defesa do país. Nesse período, a companhia desenvolveu produtos e sistemas de alta complexidade para as Forças Armadas brasileiras e para clientes estrangeiros. Entre eles está o Sistema Astros, um sistema de artilharia de foguetes e mísseis desenvolvido pela empresa e utilizado pelo Exército Brasileiro. A companhia também desenvolveu foguetes, mísseis de cruzeiro, motores para diferentes tipos de mísseis, sistemas de comando e controle e veículos especiais.

O histórico da empresa também se estende ao setor espacial. A Avibras participa do Programa Espacial Brasileiro e, em 2020, recebeu autorização para produzir e comercializar o VSB-30, veículo suborbital desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). O foguete já havia realizado dezenas de lançamentos no Brasil e na Suécia.

A companhia mantém instalações industriais em Jacareí e Lorena, no interior paulista. Em relatório publicado pela própria empresa, a Avibras descreveu seu complexo como formado por áreas fabris, laboratórios, centros de desenvolvimento, áreas de testes e estruturas de armazenagem.

Nos últimos anos, muitas negociações. Em 2024, a Avibras anunciou que estava em negociações avançadas com a australiana DefendTex para um possível investimento na companhia. Segundo a própria Avibras, o objetivo era recuperar financeiramente a empresa, manter as instalações industriais no Brasil e retomar as operações.

A possibilidade de venda para uma empresa estrangeira provocou reação entre políticos, especialistas e sindicalistas. O temor era que a operação levasse à desnacionalização de uma companhia considerada estratégica para o setor de defesa.

Na época, o Ministério da Defesa afirmou que, por se tratar de uma empresa privada, a negociação comercial não dependia de autorização prévia da pasta. O governo avaliaria posteriormente se a Avibras continuaria enquadrada como Empresa Estratégica de Defesa. A operação com a DefendTex, porém, não avançou. A própria Avibras informou posteriormente que a empresa australiana não havia cumprido, dentro do prazo, as condições estabelecidas para a negociação.

Enquanto a negociação com os australianos avançava, outro interessado surgiu no radar: a chinesa Norinco, estatal do setor de defesa. Em 2024, uma delegação de executivos da companhia chinesa visitou a sede da Avibras, segundo o colunista Lauro Jardim. Meses antes, a Norinco havia manifestado oficialmente interesse na aquisição da empresa ao Ministério da Defesa.

A possibilidade de a Avibras passar para o controle chinês aumentou a pressão sobre o governo brasileiro para encontrar uma alternativa. O presidente Lula mobilizou o BNDES para buscar uma solução que evitasse a venda da empresa a um grupo estrangeiro.

Apesar da crise, a Avibras vinha tentando ampliar sua presença no mercado internacional. Um dos movimentos foi uma parceria com a espanhola NTGS para disputar projetos de defesa na Espanha utilizando o sistema Astros. A estratégia fazia parte do esforço da empresa para ampliar exportações e transformar a Avibras em uma companhia com presença internacional mais forte.

O Astros tem histórico de exportação e já foi empregado em conflitos no Oriente Médio. A própria empresa afirma que o sistema foi concebido para operar diferentes tipos de foguetes e mísseis a partir de uma mesma família de plataformas. A parceria com os espanhóis também provocou críticas de trabalhadores e do sindicato, que questionavam a possibilidade de fabricação de equipamentos fora do Brasil e de transferência de tecnologia.

A Avibras, por sua vez, argumentava que a estratégia tinha como objetivo justamente ampliar os negócios internacionais, aumentar a competitividade e garantir a recuperação econômica da companhia. Em comunicado divulgado à época, a empresa afirmou que a propriedade intelectual permaneceria na matriz brasileira.

 

(Com O Globo)

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