Domingo, 30 de agosto de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 30 de agosto de 2026
O presidente russo, Vladimir Putin, assinou um decreto que confere ao governo poderes para assumir temporariamente o controle de “infraestruturas críticas” em todo o país, caso os proprietários privados não consigam protegê-las de ataques ucranianos em escalada.
A nova medida surge num momento em que Moscou e Kiev intensificam suas campanhas aéreas; ataques ucranianos em profundidade no território russo têm provocado escassez de combustível e aproximado a realidade da guerra dos cidadãos russos comuns.
Kiev intensificou, nos últimos dias, os ataques contra centros logísticos da Ozon na Rússia — uma concorrente da gigante do comércio eletrônico Wildberries, frequentemente alvo de ataques — na tentativa de enfraquecer a economia de guerra de Moscou.
O decreto, que entrou em vigor na segunda-feira (24), afirma que as novas medidas estão sendo implementadas “em razão das crescentes ameaças à segurança de instalações de infraestrutura crítica da Federação Russa”.
Segundo o decreto, a medida abrange diversos setores, incluindo infraestrutura de combustíveis e energia, comunicações, instalações de transporte e logística, entre outros.
Caso os proprietários não adotem medidas suficientes para garantir a “segurança” de tais instalações ou não restaurem seu funcionamento com rapidez suficiente após ataques, o governo pode decidir implementar uma “administração temporária”, estabelece o decreto. Na prática, isso transfere para o Estado russo o controle sobre a propriedade, os direitos de propriedade e as ações do proprietário.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou na última terça-feira (25) que, “com bastante frequência, os proprietários de empresas não dedicam a devida atenção à adoção de medidas para garantir a segurança, incluindo a proteção contra drones”.
Ele também apontou o apoio das nações ocidentais a Kiev como outra razão pela qual Moscou “precisa tomar medidas” para, segundo suas palavras, “garantir a nossa própria segurança”.
Questionado sobre quais empresas poderiam ser afetadas pelo decreto, Peskov disse aos repórteres que a situação seria “analisada principalmente pelo governo e pelos órgãos competentes”. “Sempre que medidas de segurança não estiverem sendo adotadas em áreas críticas, propostas nesse sentido serão apresentadas”, acrescentou.
Paralelamente, a Rússia tem realizado cada vez mais ataques com mísseis de alta velocidade em toda a Ucrânia, aproveitando-se da escassez, em Kiev, de interceptadores de defesa aérea Patriot de fabricação americana — nos quais o país depende fortemente para abater mísseis balísticos. Essa escassez foi agravada por uma crise global de abastecimento em meio à guerra envolvendo o Irã.
A Rússia lançou dois mísseis e 150 drones contra a Ucrânia entre a noite de segunda-feira e a manhã de terça-feira; 124 drones foram abatidos, segundo a Força Aérea Ucraniana. Em meio à escassez de interceptadores, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que Kiev recebeu um “pequeno número de mísseis Patriot”, informou nesta terça-feira (25) a agência de notícias estatal ucraniana Ukrinform.
“Também não direi qual país os forneceu — recebemos um pequeno número de mísseis Patriot. Não posso dizer quantos, mas são poucos. Precisamos de mais”, disse Zelensky em uma reunião com seu homólogo estoniano, segundo a Ukrinform.
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