Terça-feira, 13 de outubro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 12 de setembro de 2026
Relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) aponta que o presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Isaac Sidney, depositou R$ 700 mil na conta de uma empresa ligada a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro.
O documento indica que a quantia foi transferida via Ted (transferência eletrônica disponível) em 8 de junho de 2022, um dia depois de a conta da Super Empreendimentos ser aberta na unidade de Formiga (MG) da cooperativa de crédito Sicoob Credifor.
O valor transferido por Sidney é uma fração dos R$ 9,9 milhões que a conta recebeu naquele mês, segundo o documento. Outros R$ 9,2 milhões foram repassados por Zettel, apontado como operador financeiro do esquema do Master, em cinco transferências via Ted e Pix. Do lado dos débitos, saíram R$ 9,8 milhões no período, principalmente para empresas do setor imobiliário.
Em julho deste ano, tornou-se público que Sidney contratou um empréstimo de R$ 5,5 milhões com o Master em 2020 para a compra de um apartamento duplex. Na época, a Folha de S. Paulo teve acesso a documentos ligados à operação que, segundo o executivo, comprovam a destinação dos recursos do empréstimo à compra do imóvel e a quitação da operação em dezembro de 2021.
À época, Sidney afirmou que a divulgação da informação era uma forma de retaliação às críticas públicas ao Master e à atuação da Febraban e negou irregularidade no empréstimo.
Procurado pela reportagem, o presidente da federação de bancos afirmou que a operação na conta da Super é relativa à aquisição de direitos creditórios, “mediante instrumento de cessão devidamente formalizado há mais de quatro anos e registrado na declaração de Imposto de Renda”.
“A operação possui natureza privada e regular, tendo sido integralmente suportada com recursos próprios, de origem lícita, disponíveis em minha conta bancária pessoal, observadas as formalidades legais aplicáveis”, disse em nota.
A Febraban afirmou que não se manifesta sobre assunto de caráter privado de seus dirigentes.
As movimentações entraram na mira do Coaf porque o valor movimentado seria incompatível com o porte da Super. “Trata-se de empresa cooperada com atividade exercida de holdings de instituições não financeiras, não possui faturamento cadastrado, o que impossibilita que seja mensurada de forma prudente a sua capacidade de movimentação”, diz o relatório.
O Coaf disse também que existem “expressivos recursos advindos do sócio advindos de outras instituições financeiras, tornando complexa a identificação da origem primária do recurso, bem como a mensuração da real capacidade da empresa”.
A Super é apontada pelas investigações como uma das empresas usadas para formalizar contratos fraudulentos. Foi a firma quem doou um apartamento de R$ 4,4 milhões para uma sugar baby. Ainda conforme as investigações, a empresa também era usada para fazer pagamentos aos membros da milícia de Vorcaro, incluindo o operador apelidado de Sicário.
Sidney ressaltou em comunicado que nunca houve aporte por parte dele “na referida empresa, tampouco o recebimento de qualquer quantia”.
O executivo está de saída do cargo. No fim de agosto, a Febraban anunciou que Leandro Vilain vai substituir Sidney na liderança da entidade. A transição vai até o final de outubro, depois das eleições.
De acordo com a federação, a indicação do novo executivo acontece no âmbito de uma transição “institucional harmoniosa e planejada”, conduzida em conjunto com Sidney, que formalizou o pedido de encerramento de seu mandato após sete anos e quatro meses em posições diretivas na entidade. Com informações da Folha de S. Paulo.
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