Sábado, 27 de junho de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 3 de junho de 2026
Políticos do centrão e mesmo aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avaliam que a imposição pelos Estados Unidos de um novo tarifaço de 25% sobre importações vindas do Brasil é um revés para a campanha presidencial do senador, que se tornou alvo do governo Lula desde o anúncio da medida.
A sugestão para que os EUA apliquem novas sobretaxas ao Brasil partiu do USTR, órgão americano responsável por comércio internacional, como resultado de uma investigação sobre supostas práticas prejudiciais ao país. A decisão sobre efetivar ou não as tarifas cabe ao presidente dos EUA, Donald Trump.
O entorno de Flávio diz acreditar numa virada de jogo pelo senador, apesar de identificarem desorientação e omissão nas primeiras respostas públicas. Enquanto o bolsonarista tem sido responsabilizado por Lula pelo tarifaço, seus aliados tentam distanciá-lo da crise que se aproxima, mas ainda não emplacaram uma narrativa de defesa nas redes.
O senador divulgou um vídeo para tentar se reposicionar na crise. Na gravação, ele alegou ter defendido a Trump abandonar novas tarifas, tentou resgatar a pauta das facções criminosas, que foi benéfica a ele, e se descolou da medida ao dizer que ela envolve outros países e antecede sua visita a Trump.
“Uma investigação que começou em 2025, muito antes da minha visita aos Estados Unidos na semana passada. A realidade é que essa tarifa é do Lula, pelo seu tom agressivo com os Estados Unidos, pelo seu discurso antiamericano”, disse.
Flávio afirmou que enviou uma carta ao governo dos EUA pedindo que as tarifas não sejam aplicadas e se colocou à disposição de Lula para ajudá-lo nisso.
Integrantes do centrão afirmam que o novo tarifaço pode até anular os ganhos políticos colhidos por Flávio após sua visita a Trump na semana passada. Presidentes de partidos até então independentes na disputa nacional avaliam que o senador ficou desorientado após o escândalo do Master e não mediu as consequências ao se aproximar do americano neste momento.
Na avaliação desses líderes, Flávio não colocou na conta o efeito negativo sobre a economia da designação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. A medida foi anunciada após o encontro do pré-candidato com Trump, e o senador alardeou ter tido influência na decisão da Casa Branca.
Agora, esses chefes do centrão pontuam que Flávio tende a derreter com o anúncio de um novo tarifaço. Eles alertam, também, que uma possível ofensiva contra o Pix por parte dos EUA pode prejudicar ainda mais a situação de Flávio.
Soberania
Na terça (2), o governo Lula passou a usar o possível novo tarifaço como forma de desgastar Flávio e reforçar a defesa da soberania, argumentando que o senador quer entregar o país aos Estados Unidos, além de colocar em risco o Pix.
Na opinião de aliados de Flávio, o tamanho do estrago para a candidatura do senador vai depender de as tarifas serem de fato aplicadas ou não. Eles apostam ainda que o bolsonarista deve seguir pontuando como o adversário mais competitivo contra Lula, o que vai manter o apoio do mercado a ele.
Uma publicação de Trump também tem sido usada por bolsonaristas a favor de Flávio. O presidente americano escreveu que foi bom receber Flávio na Casa Branca e que o senador é um “jovem inteligente que ama muito seu país”.
Para alguns políticos, porém, há uma série de contradições que prejudicam Flávio na boa relação com Trump – ao mesmo tempo em que o presidente americano atendeu o pleito bolsonarista em relação às facções, o ignorou em relação às tarifas.
A coincidência temporal entre a visita de Flávio a Trump e o anúncio de possíveis novas tarifas também foi explorada pela esquerda. “Hoje, no mesmo dia em que Trump ameaça o Brasil com tarifa de 25% e ataca o Pix, ele publica sua foto com Flávio Bolsonaro dentro da Casa Branca. Coincidência? Flávio foi aos EUA pedir apoio político e, logo depois, veio uma ofensiva contra a soberania e a economia nacional”, publicou o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ).
Flávio disse que pediu a Trump para não taxar o Brasil e que novo tarifaço seria uma retaliação a Lula.
“(Eu pedi) ‘por favor, não taxa as empresas brasileiras’, só que nós temos sentado hoje na cadeira de presidente alguém que simplesmente conseguiu ganhar a desconfiança do governo americano”, declarou.
O episódio ainda deu força para o resgate da estratégia de defesa da soberania, que alavancou Lula no primeiro tarifaço. Na época, a aplicação das taxas foi vista como responsabilidade do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que havia pedido ao governo americano sanções contra autoridades brasileiras na tentativa de livrar seu pai, Jair Bolsonaro, da prisão. (Com informações da Folha de S.Paulo)
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