Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 29 de setembro de 2026
As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) recorrem a nomes já conhecidos do mercado e da administração pública para apresentar suas propostas econômicas para um eventual novo governo. A estratégia ocorre em meio à pressão por definições sobre política fiscal, controle das despesas, dívida pública, juros e participação do setor privado na economia.
No caso de Flávio Bolsonaro, a campanha montou uma equipe econômica com vários integrantes que participaram do governo de Jair Bolsonaro. Entre os principais nomes estão Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, e Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia, que participa da coordenação do plano econômico.
Em (21) de agosto, Flávio anunciou sete novos integrantes para a equipe econômica. Parte deles também havia ocupado cargos na administração de Jair Bolsonaro. Entre os nomes anunciados estava Alexandre Messa, doutor em economia pela Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que ocupou cargos no Ministério da Economia durante o governo anterior.
A equipe também conta com profissionais ligados ao mercado financeiro e à infraestrutura. Carolina Ragazzi, que trabalhou no banco de investimentos Goldman Sachs, havia sido anunciada anteriormente para colaborar com a elaboração das propostas.
A escolha de nomes que já passaram por governos anteriores é apresentada pela campanha como uma forma de dar estrutura técnica ao programa econômico. Sachsida afirmou que os integrantes trabalhariam na elaboração de propostas para enfrentar juros elevados, endividamento e as contas públicas.
O grupo de Flávio defende uma agenda de redução de gastos e maior participação do setor privado. Entre as diretrizes apresentadas está a intenção de promover um ajuste fiscal e estabelecer regras para limitar a expansão das despesas públicas.
A campanha, no entanto, ainda enfrenta questionamentos sobre como algumas das metas seriam implementadas. Reportagem da Folha de S.Paulo apontou que o programa prevê um ajuste fiscal de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e um novo teto de gastos baseado na relação entre dívida e PIB, mas que parte das medidas necessárias para alcançar esses objetivos ainda não havia sido detalhada.
No campo de Lula, a estratégia econômica parte da experiência acumulada durante os governos petistas. O presidente defende a manutenção de programas sociais e investimentos públicos ao mesmo tempo em que afirma ser necessário garantir estabilidade fiscal.
Em encontro com empresários em São Paulo, Lula afirmou que a estabilidade fiscal é uma obrigação do governo. O presidente, porém, rejeitou a utilização de cortes na Previdência e em políticas sociais como principal instrumento para equilibrar as contas públicas.
Lula também defende uma política industrial com maior participação do Estado, investimentos em infraestrutura e fortalecimento de setores considerados estratégicos. Entre os temas abordados pelo presidente estão a produção de tecnologia, a inteligência artificial, a exploração de recursos naturais e a ampliação da capacidade industrial brasileira.
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