Quinta-feira, 06 de agosto de 2026

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Voltar Polícia Federal indicia 16 pessoas por queda de avião da Voepass em Vinhedo, em São Paulo

Quase dois anos depois da queda de um avião da Voepass no interior de São Paulo, a Polícia Federal indiciou, nesta quinta-feira (6), 16 pessoas pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo. O acidente, que aconteceu em agosto de 2024, deixou 62 pessoas mortas.

Na tarde desta quinta, a PF (Polícia Federal) começou a apresentar, em coletiva de imprensa, o relatório final do Inquérito Policial que apurou as circunstâncias do acidente.

No final do último mês, um relatório final da investigação conduzida pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) sobre o acidente apontou que a companhia aérea tinha a prática de trocar peças de aeronaves com defeito por outras “sabidamente com pane”.

Durante a coletiva de imprensa desta quinta, Carlos Eduardo Palhares, diretor do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, afirmou que voos anteriores da companhia aérea já haviam registrado alertas para o problema no sistema de degelo.

“Aqueles pilotos sabiam que aquele componente estava em falha. Era obrigação do piloto reportar [o problema] à equipe de manutenção. Mas não foi reportado […] Existia conhecimento dos pilotos sobre a condição da aeronave e que deveriam impedir o voo. A soma de todas essas violações levaram à queda do avião”, disse o diretor.

Relembre o caso

A queda ocorreu em 9 de agosto de 2024, poucos minutos antes do pouso da aeronave, que fazia o voo 2283 entre Cascavel, no Paraná, e Guarulhos, em São Paulo. O avião, de prefixo PS-VPB, é um ATR 72-500, cuja capacidade total é de 74 pessoas, sendo 62 passageiros.

Durante a aproximação de São Paulo, o ATR 72-500 perdeu rapidamente sustentação e caiu em um condomínio residencial em Vinhedo, no interior paulista. As 62 pessoas a bordo, sendo 58 passageiros e quatro tripulantes, morreram no acidente, considerado o maior da aviação comercial brasileira desde 2007.

Investigação do Cenipa

O relatório final do Cenipa concluiu que o acidente foi resultado de uma sucessão de falhas da empresa, da tripulação e da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

Segundo a investigação, a aeronave não deveria sequer ter decolado nas condições em que foi liberada para o voo, pois operava com o sistema Airframe De-Icing, responsável pela proteção contra o acúmulo de gelo, inoperante.

Segundo o tenente-coronel Paulo Mendes Fróes, que integrou a equipe de investigadores, nos três voos anteriores ao da queda foram identificadas falhas no equipamento. No entanto, os problemas não teriam sido relatados nos diários de bordo da aeronave conforme preconiza a legislação.

Segundo o relatório, a empresa não adotou medidas efetivas para tratar esses eventos, permitindo a normalização de desvios operacionais e reduzindo a percepção de risco entre pilotos e gestores.

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