Quinta-feira, 28 de maio de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 28 de maio de 2026
A Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Cibernéticos do Rio Grande do Sul deflagrou, na manhã desta quinta-feira (28), a Operação Eclipse para combater um grupo criminoso especializado na prática de fraudes eletrônicas mediante falsas campanhas beneficentes divulgadas na internet.
Foram cumpridos, nos Estados do Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, três mandados de prisão preventiva, seis mandados de busca e apreensão e medidas cautelares patrimoniais destinadas ao bloqueio de ativos financeiros relacionados à investigação.
Três criminosos foram presos. O primeiro preso é um homem de 30 anos, residente em Curitiba (PR), apontado como responsável pela estrutura financeira utilizada no esquema criminoso. O segundo é um homem de 30 anos, residente em Londrina (PR), vinculado à operacionalização das empresas utilizadas para movimentação dos valores ilícitos. Já o terceiro é um homem de 31 anos, residente em Contagem (MG), identificado como responsável pelo registro e manutenção dos domínios utilizados nas páginas fraudulentas na internet empregadas na aplicação dos golpes.
Durante a operação, foi apreendido um veículo que servirá para garantir ressarcimento a vítimas. Além disso, também foram recolhidos diversos elementos que comprovam a utilização de gateways de pagamento na prática criminosa e uma arma Airsoft.
A ação policial decorre de investigação instaurada após a identificação de campanhas fraudulentas de arrecadação de valores que utilizavam indevidamente a imagem, a história e o conteúdo produzido pela família para divulgar a campanha legítima de uma criança de 10 anos, residente no município de Capão da Canoa, no Litoral Norte do RS, portadora de distrofia muscular de Duchenne, doença rara cujo tratamento possui elevado custo financeiro.
Conforme a Polícia Civil, os criminosos criavam páginas falsas de arrecadação e anúncios patrocinados em redes sociais simulando campanhas solidárias legítimas, induzindo as vítimas à realização de transferências via Pix. As publicações fraudulentas reproduziam imagens da criança, informações sobre sua condição de saúde e elementos visuais semelhantes aos utilizados em plataformas verdadeiras de financiamento coletivo, conferindo aparência de legitimidade.
“As investigações identificaram uma sofisticada estrutura digital e financeira utilizada pelos investigados, incluindo registros de domínios fraudulentos em servidores localizados fora do território nacional, uso de empresas intermediadoras de pagamento e intensa movimentação bancária compatível com arrecadações ilícitas oriundas de dezenas, possivelmente centenas, de vítimas em diferentes Estados”, informou a polícia.
Durante a investigação, foi identificado que uma das campanhas fraudulentas chegou a exibir arrecadação superior a R$ 248 mil. A análise das movimentações financeiras revelou ainda expressivo fluxo financeiro, na casa dos milhões de reais, em contas vinculadas à empresa utilizada pelos investigados, com operações compatíveis com o padrão típico de campanhas beneficentes fraudulentas, caracterizadas por elevado volume de transferências de pequeno valor realizadas por múltiplas vítimas.
A operação recebeu o nome de Eclipse em referência à empresa utilizada na estrutura financeira do esquema criminoso, bem como ao ocultamento e à dissimulação dos valores obtidos por meio das fraudes eletrônicas investigadas. As investigações prosseguem com o objetivo de identificar outras vítimas, eventuais coautores e a extensão total dos prejuízos causados pelo grupo criminoso.
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