Segunda-feira, 31 de agosto de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 28 de junho de 2026
A Medida Provisória que institui o Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) como obrigatório para obtenção do registro profissional de futuros médicos recebeu 479 emendas durante o prazo regimental de tramitação no Congresso Nacional, que terminou na sexta (26).
Entre as principais sugestões apresentadas por deputados e senadores estão a inclusão de avaliações práticas de habilidades clínicas, a ampliação da participação de entidades médicas na condução do exame, mudanças nas regras de registro profissional e mecanismos para aumentar a transparência dos resultados.
Também foram propostas alterações para fortalecer a supervisão dos cursos de medicina e integrar o Enamed aos processos de seleção para residência médica.
A MP, assinada pelo presidente Lula (PT), tornou obrigatória a comprovação de proficiência pelo Enamed para que novos médicos possam obter o registro o CFM (Conselho Federal de Medicina). A medida também prevê que o exame substitua a etapa teórica do Revalida, unificando a avaliação de médicos formados no Brasil e no exterior.
A MP aguarda a instalação de uma comissão mista no Congresso. Como tem força de lei imediata, precisará ser analisada e aprovada pelos parlamentares em até 120 dias para não perder a validade.
Uma das principais controvérsias da medida envolve a participação do CFM, da AMB (Associação Médica Brasileira) e das instituições de ensino superior na estrutura de acompanhamento do exame.
A MP estabelece que a avaliação será elaborada e aplicada pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), órgão ligado ao MEC (Ministério da Educação), enquanto entidades médicas defendem maior protagonismo na avaliação dos recém-formados.
O debate ocorre em paralelo à tramitação de uma proposta no Congresso que cria o Profimed (Exame Nacional de Proficiência em Medicina), inspirado no modelo da prova da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). A iniciativa prevê que o CFM seja responsável pela aplicação do teste, uma atribuição que o conselho considera compatível com seu papel legal de fiscalizador e normatizador da profissão.
“O Enamed se transformou numa disputa política. Isso é grave. O governo federal quer para si a responsabilidade de aplicar e avaliar as provas. Mas é preciso que as entidades médicas acompanhem de perto. E mais: não basta uma prova teórica, é preciso também uma avaliação prática”, afirma Antonio José Gonçalves, presidente da APM (Associação Paulista de Medicina).
Em entrevista, o presidente do CFM, José Hiran Gallo, também criticou o formato definido pela medida provisória. Segundo ele, uma prova teórica com cem questões não seria suficiente para avaliar a capacidade de um médico recém-formado. “Uma prova com cem questões não avalia a habilidade daquele profissional. Toda e qualquer prova a nível mundial são no mínimo 300 questões”, afirmou.
Pela proposta do governo, os estudantes de medicina terão duas avaliações obrigatórias ao longo da graduação: uma no quarto ano do curso e outra no último ano. A exigência de comprovação de proficiência para obtenção do registro profissional, porém, só valerá para alunos que ingressarem na graduação após a publicação da MP, sem efeito retroativo.
Na primeira edição do Enamed, realizada no ano passado, 39.258 estudantes concluintes participaram da avaliação e 67% alcançaram o nível considerado proficiente. O resultado acendeu o debate sobre a qualidade da formação médica no país. Cerca de um terço dos cursos avaliados, de 99 instituições, não atingiu desempenho satisfatório e passou a ser acompanhado pelo MEC.
A nota do exame varia de 1 a 5 e será utilizada para avaliar a qualidade dos cursos. Instituições com desempenho insuficiente poderão sofrer medidas regulatórias, como restrições para abertura de novas vagas, participação em programas como Fies e Prouni ou, em situações mais graves, desativação do curso. Com informações da Folha de S. Paulo.
Após enviar seu primeiro comentário, você receberá um email de confirmação. Clique no link para verificar seu email - depois disso, todos os seus próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!
Você só precisa verificar uma vez a cada 30 dias.