Terça-feira, 13 de outubro de 2026

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Voltar Perto de 150 milhões de brasileiros usam o Pix: adesão maciça fez dele o ambiente preferido de estelionatários

Por ter se tornado o meio mais usado para pagamentos e transferências por via eletrônica, o Pix passou a atrair criminosos e golpistas. O Banco Central (BC), desenvolvedor da ferramenta e responsável por sua manutenção, estabeleceu regras rígidas de segurança. Mas agora pretende reforçá-las para que o Pix mantenha a confiança da população. É preciso tomar cuidado para que as restrições impostas não esvaziem a utilidade dessa ferramenta essencial para o país.

Perto de 150 milhões de brasileiros usam o Pix. Trata-se do maior instrumento de inclusão financeira desde o Plano Real. Em 2020, ano de seu lançamento, 87,5% da população adulta tinha conta bancária. No ano passado, 96,4%. Com a adoção maciça, golpes e fraudes cresceram na mesma proporção. Só em 2023 e 2024 os prejuízos causados via Pix somaram de R$ 2,7 bilhões, segundo a Federação Brasileira de Bancos. Entre julho de 2024 e junho de 2025, 24 milhões de brasileiros foram vítimas de golpes.

Entre os mais comuns estão a venda de produtos que jamais serão entregues ou as promessas falsas de ganho rápido num investimento que precisa ser feito de forma urgente. Até redes sociais como WhatsApp costumam ser clonadas para que “parentes” ou “amigos” aleguem necessidade de ajuda emergencial e peçam uma transferência rápida. A esses e a outros golpes, somam-se agora os que usam inteligência artificial (IA) para produzir áudios e vídeos fraudados e induzir a vítima a fazer um Pix.

Nenhum desses golpes depende necessariamente do Pix, mas a existência de um meio instantâneo e irreversível de transferência bancária pode incentivar trapaças do tipo. Por isso o BC já tomou diversas medidas para aumentar a segurança da população e das empresas. Transferências de alto valor são sempre instantâneas, mas o banco pode retê-las para análise por uma hora, caso encontre indícios de crime. Agora se estuda estabelecer um prazo de 72 horas como regra para analisar movimentações elevadas durante a madrugada. Os defensores da mudança alegam que é o tempo necessário para investigar fraudes e roubos em casos de sequestros-relâmpago. Mas a mudança não pode significar um transtorno desnecessário para quem precisa da transferência instantânea.

O Pix já dispõe de diversas regras para transferências de altos valores e conta com um Mecanismo Especial de Devolução (MED), à disposição de qualquer cliente de banco. O indicador de fraudes, baseado no acionamento do MED, está em queda. É verdade que o MED pode ser aperfeiçoado, mas o meio mais eficaz para lidar com os riscos é educar os usuários para estabelecer limites compatíveis com seu uso corrente, sem prejudicar a agilidade da plataforma que garante comodidade.

Alvo do lobby de bandeiras de cartões de crédito americanas que reclamam de concorrência desleal, o Pix se tornou um dos meios de pagamento mais eficazes do mundo, essencial para cidadãos e empreendedores. Por isso merece toda a atenção do BC e de qualquer governo. (Editorial do jornal O Globo)

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