Domingo, 30 de agosto de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 4 de julho de 2026
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, contrariou um estudo do Banco Mundial ao defender a manutenção da carga tributária de itens alvo do imposto seletivo — o “imposto do pecado”, que mira bebidas alcoólicas, tabaco, bets e outros produtos nocivos à saúde.
Em recente evento empresarial, Durigan sustentou que o início da cobrança do tributo aprovado na reforma tributária, a partir de 2027, aconteça “sem grandes discussões polêmicas”, mantendo a taxa cobrada atualmente por meio do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Às vésperas da eleição, o governo Lula teme desgaste pelo aumento da carga tributária, o que poderia virar munição para a oposição.
Procurada, a Fazenda afirmou que “o desenho final das alíquotas depende de aprovação pelo Congresso”, e que “não há como adiantar quaisquer definições”. Leia o comunicado ao fim da reportagem.
Na conversa, o ministro defendeu “um processo em que comecemos sem grandes discussões do imposto seletivo, mantendo a carga tributária que hoje eles têm no IPI, para que a gente faça essa transição já com o imposto seletivo no ano que vem”, em discussões “sem grandes discussões polêmicas”.
Por outro lado, o Banco Mundial defende um imposto seletivo mais alto no País como forma de frear o consumo de itens nocivos e financiar o Sistema Único de Saúde (SUS) no combate aos danos gerados por esses produtos.
Os dados constam do estudo “Salvando vidas e aumentando a arrecadação: oportunidades na reforma dos impostos indiretos no Brasil para aprimorar os impostos seletivos sobre tabaco, álcool e bebidas adoçadas com açúcar”, publicado em outubro de 2024.
Como exemplo, o Banco Mundial aponta que o preço da cerveja no Brasil é o quinto mais baixo entre os países da América Latina e Caribe e do G20, por causa da baixa tributação atual. O preço da garrafa de 330 ml da marca mais vendida no Brasil era de US$ 0,60, bem abaixo de países como Equador (US$ 1,5), Bolívia (US$ 1,1), Costa Rica (US$ 1,8) e Jamaica (US$ 2,2).
O oncologista Drauzio Varella, a chef Rita Lobo e a pneumologista Margareth Dalcomo assinaram uma carta da ACT Promoção de Saúde que pediu um maior “imposto do pecado” contra álcool, cigarro e bets.
Leia o comunicado da Fazenda
“O Ministério da Fazenda informa que o Imposto Seletivo incidirá, a partir do fim do IPI para diversos produtos, sobre produtos danosos à saúde e ao meio ambiente. Porém, o desenho final das alíquotas depende de aprovação pelo Congresso Nacional. Diante disso, não há, portanto, como adiantar quaisquer definições.
Para as bebidas alcoólicas, açucaradas e para cigarros, as alíquotas serão fixadas de forma escalonada, conforme o disposto na Lei Complementar 214 (art. 422, § 5°):
§ 5º As alíquotas do Imposto Seletivo incidentes sobre os produtos previstos nos incisos III a V do § 1º do art. 409 desta Lei Complementar serão fixadas de forma escalonada, de modo a incorporar, a partir de 2029 até 2033, progressivamente, o diferencial entre as alíquotas de ICMS incidentes sobre os produtos fumígenos, as bebidas alcoólicas e as bebidas açucaradas e as alíquotas modais desse imposto. (Redação dada pela Lei Complementar nº 227, de 2026).” (Coluna de Opinião do portal Estadão, por Roseann Kennedy).
Após enviar seu primeiro comentário, você receberá um email de confirmação. Clique no link para verificar seu email - depois disso, todos os seus próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!
Você só precisa verificar uma vez a cada 30 dias.