Sábado, 17 de outubro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 17 de outubro de 2026
Minas Gerais se tornou um dos principais focos das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno da eleição presidencial. Considerado um retrato do comportamento eleitoral do país, o estado é estratégico para os dois candidatos: enquanto Lula tenta reverter a desvantagem registrada na primeira etapa da votação, Flávio busca ampliar sua vantagem.
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro recebeu 48,24% dos votos em Minas Gerais, contra 43,33% de Lula. Em 2022, o petista havia vencido no estado, com 48,29% dos votos. Minas é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil e, desde a eleição presidencial de 1989, todos os presidentes eleitos no país também venceram no estado.
A importância eleitoral mineira está relacionada tanto ao tamanho de seu eleitorado quanto à diversidade de seus municípios. O estado reúne diferentes perfis sociais, econômicos e políticos, o que o torna um território importante para medir a força dos candidatos nacionalmente.
“O primeiro fator é quantitativo. Minas tem um estoque de votos significativo. O segundo tem relação com a peculiaridade do estado, que já é altamente conhecido por ser um microcosmo da eleição no plano nacional”, afirmou Camilo Aggio, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital.
Lula tenta reduzir diferença
Lula esteve em Minas Gerais na sexta-feira (16), em sua primeira visita ao estado após o primeiro turno. A agenda começou em Juiz de Fora, município em que o presidente obteve 49,58% dos votos, contra 41,53% de Flávio. A cidade foi a única entre as dez maiores de Minas Gerais em que o petista ficou à frente do adversário.
O presidente também esteve em Ipatinga, no Vale do Aço, onde Flávio havia conquistado 61,11% dos votos no primeiro turno, enquanto Lula recebeu 31,47%. A estratégia petista inclui a participação de aliados locais e a mobilização de apoiadores nas ruas e nas redes sociais.
Entre os nomes que podem contribuir para a campanha estão a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), e a senadora eleita Marília Campos (PT). Deputados e lideranças do campo progressista também participam da articulação eleitoral no estado.
A mobilização digital é outra frente da campanha. O deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pelo canal de WhatsApp “Exército do Lula”, atua na distribuição de conteúdos e na mobilização de apoiadores para ampliar o alcance das mensagens favoráveis ao presidente.
Flávio aposta em aliados
Flávio Bolsonaro também cumpriu agenda em Minas Gerais nesta semana. Na quinta-feira (15), participou de um ato em Capelinha, no Vale do Jequitinhonha, acompanhado do senador eleito Domingos Sávio (PL) e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL).
Nikolas, que teve votação expressiva no estado, é considerado um dos principais aliados do candidato do PL na mobilização de eleitores. O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), também declarou apoio a Flávio e publicou manifestações favoráveis à candidatura.
A campanha busca ampliar a vantagem conquistada no primeiro turno, especialmente nas cidades mais populosas. Flávio venceu em nove das dez maiores cidades mineiras, enquanto Lula teve o melhor resultado entre elas em Juiz de Fora.
O mapa eleitoral, porém, não é uniforme. Lula venceu em 452 dos 853 municípios do estado, enquanto Flávio ficou à frente em 401. A diferença mostra que o desempenho dos candidatos varia conforme a região e que a disputa envolve tanto a manutenção das bases eleitorais quanto a conquista de novos votos.
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