Segunda-feira, 03 de agosto de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 3 de agosto de 2026
O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo (2), uma semana após participar de um evento político no Brasil. Em entrevista à emissora argentina LN+, Milei chamou Lula de “ladrão” e “corrupto” e voltou a questionar a decisão da Justiça brasileira que anulou as condenações do petista no âmbito da Operação Lava Jato.
“Ele é um ladrão, um corrupto. Não é inocente. Foi liberado por uma falha no processo jurídico”, afirmou o presidente argentino. Ao justificar as declarações, Milei disse que considera “muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que cometer o ato de roubar” e acrescentou que suas palavras foram “espontâneas”.
As novas declarações ampliam a crise diplomática entre Brasil e Argentina, que se intensificou nos últimos dias. Na semana passada, durante um ato do Partido Liberal (PL), em São Paulo, para apoiar a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL), Milei já havia chamado Lula de “ladrão”, “corrupto”, “presidiário” e “lixo socialista”.
A resposta do governo brasileiro foi imediata. O Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos e manifestar o descontentamento do governo brasileiro. Paralelamente, o Itamaraty chamou para consultas o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, em um gesto diplomático considerado incomum nas relações entre os dois países.
Em nota, o governo brasileiro classificou o episódio como “sem precedentes” nas relações bilaterais. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o Brasil considera as declarações graves, mas descartou, por ora, medidas mais duras, como a retirada definitiva de representantes diplomáticos.
As relações entre Lula e Milei são marcadas por divergências desde a campanha presidencial argentina de 2023. Durante a disputa eleitoral, Lula demonstrou apoio ao então candidato Sergio Massa, enquanto Milei passou a fazer críticas frequentes ao presidente brasileiro e a governos de esquerda na América Latina.
Inicialmente, Lula evitou responder diretamente aos ataques. Ao ser questionado por jornalistas sobre Milei, limitou-se a perguntar: “Quem é esse cara?”. Dias depois, porém, endureceu o discurso e classificou como uma “patacoada” a participação do presidente argentino no evento promovido pelo PL em São Paulo.
Durante um ato do PSB, Lula voltou a comentar o episódio e afirmou que manterá uma postura institucional na relação com a Argentina. “Eu gosto do povo argentino e não vou ficar trocando coisa com aquela coisa. Não adianta falar bravo, porque eu não vou ficar bravo. O cara fez cara feia, eu faço cara bonita. O cara demonstra ódio, eu demonstro amor”, declarou o presidente.
Apesar da escalada nas declarações, Brasil e Argentina mantêm relações comerciais e institucionais consideradas estratégicas. Os dois países são parceiros no Mercosul e figuram entre os principais destinos das exportações um do outro, além de manterem cooperação em áreas como energia, indústria automotiva e comércio exterior.
Até o momento, o governo brasileiro não havia divulgado uma resposta oficial às novas declarações de Javier Milei. A expectativa é de que o episódio seja acompanhado pelo Itamaraty, enquanto os dois países buscam preservar os canais diplomáticos e a cooperação bilateral, apesar do aumento das tensões políticas entre seus chefes de Estado.
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