Domingo, 12 de julho de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 12 de julho de 2026
Michel Temer afirmou que, se pudesse aconselhar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recomendaria que o petista “amenizasse as palavras” para evitar o agravamento da crise diplomática entre os dois países. O ex-presidente, no entanto, disse que não conversa com Lula desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016.
Ao comentar o estilo de Trump, Temer relembrou um episódio ocorrido em 18 de setembro de 2017, durante um jantar de gala em Nova York, na véspera da abertura da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo ele, o então presidente norte-americano surpreendeu os líderes presentes ao perguntar, de forma direta: “Quando é que vocês vão invadir a Venezuela?”.
A pergunta foi dirigida a Temer e aos presidentes da Argentina, Colômbia e Panamá. De acordo com o ex-presidente brasileiro, a abordagem causou constrangimento entre os participantes.
“Foi a primeira pergunta que ele fez. Houve um certo constrangimento, mas cada um disse: ‘Olha, presidente, nós estamos tomando providências de natureza diplomática’”, relatou.
Temer contou que os líderes explicaram a Trump que mantinham uma boa relação com o povo venezuelano, embora não reconhecessem o governo de Nicolás Maduro. Também lembraram que a Venezuela havia sido suspensa do Mercosul em razão da situação política do país.
Segundo o ex-presidente, após ouvir os argumentos, Trump concordou que o melhor caminho seria manter a pressão diplomática, em vez de uma intervenção militar. A lembrança serviu de base para a avaliação de Temer sobre a atual postura do governo brasileiro diante das declarações do presidente americano.
“É por isso que eu digo: ‘Quando ele (Trump) diz uma coisa lá, se nós respondermos agressivamente aqui, vamos piorar a relação’”, afirmou.
A declaração foi dada ao ser questionado sobre o risco de Trump utilizar uma eventual classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas para justificar algum tipo de intervenção no Brasil.
Enquanto Temer defende um discurso mais moderado, o governo Lula tem adotado um tom mais duro diante das recentes investidas de Trump, que incluem a ameaça de um novo “tarifaço” sobre produtos brasileiros e declarações envolvendo organizações criminosas brasileiras. A defesa da soberania nacional, inclusive, passou a integrar o discurso político do PT e foi incorporada ao programa do partido.
Ao recordar o encontro de 2017, Temer destacou que as posições de Trump podem mudar ao longo das negociações, razão pela qual considera mais prudente evitar respostas que elevem a tensão diplomática entre os dois países.
(Com informações do jornal O Estado de S.Paulo)
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