Quarta-feira, 26 de agosto de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 26 de agosto de 2026
Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, voltou ao centro do noticiário político e policial em 2026 por causa das investigações relacionadas a suspeitas de fraudes envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O episódio, porém, não é o primeiro em que o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece no radar de investigações. Antes disso, ele esteve relacionado a episódios que atravessaram a CPI dos Correios, em 2005 e 2006, e posteriormente foi investigado pela Operação Lava-Jato.
Apesar das diferentes apurações ao longo dos anos, Lulinha nunca chegou à condição de réu em uma ação penal relacionada a esses casos, segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo. A publicação relembra que o empresário entrou no debate político nacional em 2005, quando a empresa Gamecorp, da qual era sócio, recebeu investimento de R$ 5 milhões da Telemar, atual Oi.
O negócio chamou a atenção porque a Telemar era uma companhia com participação estatal e porque Lula ocupava a Presidência da República. A operação passou a ser questionada politicamente e acabou chegando à CPI dos Correios, comissão parlamentar instalada para investigar o esquema do mensalão e outras suspeitas envolvendo contratos e recursos públicos.
Durante os trabalhos da CPI, parlamentares solicitaram informações sobre a relação entre a Telemar, a Gamecorp e o BNDES. O caso também provocou manifestações de integrantes da oposição e debates sobre eventual influência política na operação. Registros da época mostram que o nome de Lulinha foi mencionado em discussões e documentos relacionados à empresa.
A CPI dos Correios, no entanto, não transformou Lulinha em réu. A comissão tinha natureza parlamentar e não exercia a função de apresentar uma denúncia criminal nos moldes de uma ação penal. Eventuais conclusões poderiam ser encaminhadas às autoridades responsáveis por investigações e processos.
Anos depois, o nome de Fábio Luís voltou a aparecer em uma investigação da Lava-Jato. Ele foi alvo da 69ª fase da operação, conhecida como Mapa da Mina, deflagrada em 2020. A apuração investigava supostos pagamentos feitos por empresas de telefonia e contratos envolvendo a Gamecorp. A investigação não resultou em ação penal contra Lulinha.
Segundo a Folha, o caso relacionado à Lava-Jato acabou arquivado em 2022, após decisões judiciais que afetaram a validade de atos praticados pela força-tarefa. A defesa de Lulinha sempre negou qualquer irregularidade e afirmou que ele não cometeu crimes.
O empresário voltou a ser citado em investigações em 2026, desta vez no contexto das apurações sobre fraudes no INSS. Reportagem publicada pela Folha nesta semana informou que a Polícia Federal investiga três tentativas de contratação envolvendo o Ministério da Saúde. Segundo a investigação, as tratativas envolviam a venda de medicamentos à base de cannabis, testes para dengue e outras doenças e uma possível parceria com a Indústria Química do Estado de Goiás (Iquego).
As negociações, de acordo com a reportagem, não foram concluídas. Uma das propostas envolvia medicamentos à base de canabidiol e teria sido considerada inviável por técnicos em razão do custo e de dificuldades logísticas. As outras iniciativas também não avançaram.
A investigação atual envolve ainda outros personagens, entre eles o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e a lobista Roberta Luchsinger. A PF apura possíveis relações econômicas entre os envolvidos. As defesas dos citados negam irregularidades e questionam as suspeitas levantadas nas investigações.
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