Quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 26 de agosto de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu endurecer o tom adotado ao abordar as suspeitas envolvendo o filho Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, para tentar se afastar do desgaste eleitoral causado pelas investigações que miram suspeitas de tráfico de influência. Integrantes da campanha afirmam que o petista está convencido da necessidade de ser mais incisivo ao afirmar que não vai tentar interferir nas investigações.
Lula passará a reforçar que “ninguém está acima da lei” no governo dele e que não irá trocar delegado ou investigadores para beneficiar o filho. Com o avanço das investigações, que mostram suspeitas sobre a atuação de Lulinha em parceria de uma lobista, o tema se tornou um dos pontos mais vulneráveis da sua campanha à reeleição.
Nas declarações, Lula tentará comparar sua atuação com a do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que em reunião ministerial em 2020 afirmou que trocaria até o ministro da Justiça, Sérgio Moro, para proteger a família. O presidente também deverá ser mais enfático ao afirmar que quem errou, que pague, sem deixar de reforçar que todos têm direito a defesa. A mudança no tom está prevista para ocorrer durante sabatina ao Jornal Nacional, nesta quinta-feira (27).
Lulinha está sendo investigado em três inquéritos em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de tráfico de influência no governo federal. Uma das linhas seguidas pelos investigadores é a relação com a lobista e empresária Roberta Luchsinger, que tentou fechar contratos com a União. Os dois são amigos, e a relação já foi questionada por Lula em conversa com o filho. Um deles envolveria as discussões de um contrato para fornecimento de medicamentos à base de cannabis. O contrato não foi fechado pelo Ministério da Saúde.
A modulação do discurso já havia sido feita, mas agora a ideia é ser ainda mais duro. Em 14 de agosto, em entrevista ao podcast Não Inviabilize, Lula evitou declarar a inocência do filho, dizendo que só ele “sabe a verdade”.
“Se meu filho tiver culpa, ele pagará. Ele já foi acusado de muitas coisas, toda eleição aparece meu filho. Só ele (Lulinha) sabe a verdade, eu não sei. Se ele fez ou não fez… Ele jura que não fez, então brigue”, disse.
Antes um tabu dentro da campanha petista e motivo de divisão entre aliados, as suspeitas envolvendo Lulinha passaram a ser discutidas abertamente no QG da campanha nesta semana. Na terça-feira (25), Lula passou a tarde gravando programas em uma mansão no Lago Sul onde funciona o comando da comunicação, acompanhado pelo marqueteiro Raul Rabelo, o presidente do PT, Edinho Silva e o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira).
Integrantes do núcleo de coordenação afirmam que não há mais como fugir do tema e que Lula passará a tratá-lo sem melindres. Petistas admitem que em meio à disputa que se desenha acirrada com Flavio Bolsonaro (PL), as suspeitas envolvendo Lulinha e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, colocaram Lula em uma situação constrangedora no momento em que o petista busca o quarto mandato.
O presidente deve reforçar o discurso de independência dos mecanismos de investigação do governo, fortalecimento de instituições de controle e da ampliação das investigações, independente da proximidade com o presidente. Uma afirmação que o presidente vem repetindo a aliados, é de que ninguém está autorizado a usar seu nome e suas relações, seja de amizade ou parentesco, para qualquer tipo de coisa.
“A corrupção é algo quase incontrolável. Corrupção tem em qualquer lugar, na empresa, no governo, em time de futebol. Temos uma capacidade de investigação como jamais teve nesse país. MJ e PF sabem que tem que investigar. Todo mundo tem direito de trabalhar com maior liberdade possível”, afirmou Lula no domingo (23), em entrevista à Record TV.
A campanha busca superar a fase de bate cabeça sobre Lulinha enquanto prepara artilharia para desgastar Flavio Bolsobaro, mirando seus vínculos com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Os ataques devem ser intensificados nas redes sociais e também na propaganda eleitoral na TV. (Com informações do jornal O Globo)
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