Sábado, 29 de agosto de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 8 de julho de 2026
A coordenadora da bancada feminina na Câmara dos Deputados, Jack Rocha (PT-ES), apresentou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma representação solicitando a investigação de declarações e de materiais de divulgação que, segundo a parlamentar, colocam em xeque o princípio do voto universal e a participação das mulheres no processo eleitoral.
Na manifestação encaminhada ao órgão, a deputada pede que seja apurada uma declaração do influenciador bolsonarista e empresário Paulo Figueiredo, aliado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na qual afirma que mulheres “votam mal”. O pré-candidato do PL à Presidência da República já declarou publicamente que discorda e repudia a manifestação de Figueiredo.
Além disso, Jack Rocha solicita que seja analisada uma cartilha produzida pelo Partido Missão, legenda que tem Renan Santos como pré-candidato ao Palácio do Planalto. De acordo com a deputada, o material apresenta críticas ao modelo de voto universal e levanta a possibilidade de adoção do chamado “voto familiar”, proposta que, em sua avaliação, merece apuração pelos órgãos competentes.
Na representação, a parlamentar sustenta que tanto a declaração de Paulo Figueiredo quanto o conteúdo da cartilha contribuem para um cenário de enfraquecimento da autonomia política das mulheres, ao reforçarem uma lógica de tutela patriarcal sobre as eleitoras.
O documento destaca ainda que as manifestações questionadas atingem diretamente o maior segmento do eleitorado brasileiro. Conforme argumenta a deputada, as mulheres correspondem a aproximadamente 52% dos eleitores aptos a votar no país, o que representa mais de 81 milhões de eleitoras.
Para a coordenadora da bancada feminina, discursos que insinuam que o voto das mulheres seria inferior ou deveria estar subordinado à figura masculina contribuem para a criação de um ambiente de “intimidação simbólica”, “hostilidade” e “deslegitimação” da participação feminina no processo democrático.
Ainda segundo a representação, as condutas relatadas podem, em tese, caracterizar:
* propaganda discriminatória;
* violência política de gênero;
* violação de deveres constitucionais atribuídos aos partidos políticos.
No pedido encaminhado à PGR, Jack Rocha requer a instauração imediata de procedimento na Procuradoria-Geral Eleitoral, bem como o encaminhamento do caso ao Grupo de Trabalho de Prevenção e Combate à Violência Política de Gênero para análise das circunstâncias apresentadas.
Entre as providências solicitadas estão a preservação de publicações e demais conteúdos digitais veiculados nas redes sociais para eventual produção de provas, a solicitação de esclarecimentos formais ao Partido Missão sobre o teor da cartilha e a comunicação do caso ao Tribunal Superior Eleitoral, com o objetivo de reforçar campanhas institucionais voltadas à valorização da participação das mulheres na política.
A deputada também pede que a Justiça Eleitoral adote as medidas cabíveis para coibir eventuais propagandas de caráter irregular ou discriminatório relacionadas ao contexto eleitoral. (Com informações do portal de notícias g1)
Após enviar seu primeiro comentário, você receberá um email de confirmação. Clique no link para verificar seu email - depois disso, todos os seus próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!
Você só precisa verificar uma vez a cada 30 dias.