Terça-feira, 01 de setembro de 2026

Terça-feira, 01 de setembro de 2026

Voltar Homem que matou avó em Porto Alegre recebe liberdade provisória com uso de tornozeleira eletrônica

Após dois dias de prisão como autor confesso da morte da avó, em Porto Alegre, um homem de 26 anos recebeu liberdade provisória mediante o uso de tornozeleira eletrônica. A decisão é do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) e incluiu a determinação de que saia de casa onde morava com a idosa – o objetivo é impedir que se aproxime do avô, marido da vítima.

O crime foi cometido na madrugada de sexta-feira passada (22), na residência da família no bairro Bom Jesus (Zona Leste). A Polícia Civil investiga o caso como 34º feminicídio registrado no Rio Grande do Sul nestre ano, embora a defesa do autor negue essa hipótese.

De acordo com a Brigada Militar (BM), na manhã daquele dia o neto procurou espontaneamente um batalhão da corporação para relatar o crime. Ele acabou preso em flagrante após levar os policiais até o corpo de Cecília Zonta de Castro, 72 anos, deitado sobre a cama.

Ainda não há confirmação oficial da causa do óbito, mas a equipe do Instituto-Geral de Perícias (IGP) que esteve no local constatou sinais de asfixia mecânica. Em depoimento preliminar, o neto contou ter estrangulado a idosa com as mãos, durante a madrugada, “na tentativa de fazer com que ela pegasse no sono e também o deixasse dormir” – nesse momento as coisas teriam saído de controle. Ao confessar o fato à BM, por volta das 8h, ele aparentemente demonstrava arrependimento.

Imagens do local veiculadas na imprensa da capital gaúcha mostraram a parte externo onde se deu a morte de Cecília. Trata-se de uma casa de configuração bastante simples, localizada nas imadiações do número 55 da rua Sete, na Vila Mato Sampaio.

Esgotamento mental

O homem relatou que a avó apresentava agitação durante a madrugada, decorrente de longo processo de recuperação das sequelas de um acidente de trânsito, situação que exigia por cuidados permanentes em relação à idosa, com quem morava. Disse, ainda, que o marido dela dormia na mesma casa no momento do feminicídio, mas não teria percebido a movimentação.

Ele não possuía antecedentes criminais até então, nem histórico de consumo de álcool ou outras drogas. Também não havia registros de violência doméstica ou ameaça entre os moradores do imóvel. A titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Porto Alegre, Thais Dequech, cogitou como possível motivo para o ato extremo o investigado estar sob forte estresse por causa das demandas relaciondas aos idosos.

A hipótese é corroborada pela narrativa de familiares próximos. Tios e vizinhos chamaram a atenção para o fato de que o autor confesso do crime sofre de depressão, não possui trabalho fixo e, ultimamente, apresentava sinais de esgotamento mental pela dedicação exclusiva à rotina de cuidados.

Advogados se manifestam

Em nota enviada aos veículos de imprensa, os advogados do autor confesso da morte da avó refutam a tese de feminicídio. Confira um trecho do texto, a seguir.

“Embora as investigações ainda estejam em andamento, a defesa é segura ao afirmar que não há se falar em feminicídio. O fato será melhor esclarecido em momento oportuno. O acusado amava seus avós e parou sua vida por cinco anos para dedicá-la aos seus cuidados. É querido pelos vizinhos e pelos próprios familiares, os quais contrataram a sua defesa, pois sabem de sua índole”.

(Marcello Campos)

Voltar

Compartilhe esta notícia:

Deixe seu comentário
0 0 votos
Classificação do artigo
Verificação de Email (apenas uma vez)

Após enviar seu primeiro comentário, você receberá um email de confirmação. Clique no link para verificar seu email - depois disso, todos os seus próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

Você só precisa verificar uma vez a cada 30 dias.

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa Show da Tarde