Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 3 de junho de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer lançar uma nova linha de crédito, agora para financiar a compra de motos para beneficiar entregadores. Esse é um público que compreende principalmente trabalhadores jovens, sem vínculo formal de emprego e representa um desafio para as equipes de campanha em ano eleitoral.
O tema foi discutido em reunião na segunda-feira (1º) entre o chefe do Executivo e ministros da área econômica. As equipes ficaram de estudar os modelos e levar as possibilidades ao presidente, que vai então bater o martelo sobre o formato da operação.
A pedido do presidente, a equipe econômica deve apresentar esse modelo nas próximas semanas para lançamento ainda em junho. A intenção de lançar a nova linha foi confirmada nessa quarta (3) pela ministra Miriam Belchior (Casa Civil) durante a reunião ministerial com Lula.
“Temos uma próxima entrega prevista, com essa mesma lógica, que é o Move Motos, com essa mesma lógica de veículos, financiamento para os motociclistas de aplicativos”, disse.
Os detalhes sobre valores, taxas de juros e demais condições do financiamento ainda não estão fechados, mas, segundo um integrante do governo envolvido nas discussões, o montante disponibilizado para os empréstimos deve ficar bem abaixo dos R$ 30 bilhões ofertados aos motoristas de aplicativo e taxistas.
O diagnóstico do governo é que o preço de uma motocicleta é bem menor do que o tíquete médio de um carro. Enquanto o Executivo precisou autorizar um financiamento de até R$ 150 mil na linha para motoristas, um crédito de R$ 10 mil a R$ 20 mil pode ser suficiente para entregadores adquirirem uma moto, mesmo que seja um modelo elétrico.
Além disso, um interlocutor aponta que o número de motoristas por aplicativo é maior do que o de entregadores. Ou seja, além de um crédito menor, menos pessoas precisariam acessar a linha. A ideia é restringir a política a uma compra por CPF.
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil tinha 1,7 milhão de pessoas que trabalhavam por meio de plataformas digitais e aplicativos de serviços em 2024. Desse total, 58,3% (ou 964 mil) exerciam o trabalho principal por meio de aplicativos de transporte, incluindo os de táxi. Outros 29,3% (ou 485 mil) eram trabalhadores de aplicativos de entrega.
A linha para entregadores é um desejo do presidente desde o ano passado, mas, segundo interlocutores, a reunião de segunda serviu para alinhar os órgãos do governo em torno da apresentação de uma proposta. Os detalhes estão sendo discutidos por Fazenda, Planejamento e MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).
Escalado para negociação entre trabalhadores e aplicativos, o secretário-geral da Presidência, Guilherme Boulos, também participa da discussão, além da Casa Civil.
O governo tem apostado no lançamento de linhas subsidiadas de crédito para conceder bondades a diferentes públicos sem impacto relevante nas regras fiscais, como o arcabouço (que limita o crescimento de despesas) e a meta de resultado primário (que obriga a equipe econômica a perseguir um saldo entre receitas e despesas).
As medidas foram lançadas sob a justificativa de socorrer segmentos econômicos impactados pela alta do petróleo (setor aéreo) e pela desaceleração da atividade (caminhões), ou ainda promover políticas sociais, como baratear a compra da casa própria, facilitar reformas habitacionais e viabilizar a compra ou troca do carro para os motoristas – muitos dos quais, segundo o governo, não têm veículo próprio e precisam arcar com aluguel.
Nas últimas semanas, o Executivo disponibilizou até R$ 107,5 bilhões em recursos federais para essas linhas de crédito, sem considerar o novo crédito para entregadores. Os empréstimos geram um custo implícito de ao menos R$ 27,25 bilhões, devido às taxas de juros reduzidas, o que contribui para elevar a dívida pública.
Aliados do presidente negam motivação eleitoreira para a adoção do chamado pacote de bondades, sob o argumento de que o governo não para de funcionar em período pré-eleitoral. É o que disse o ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães.
“O pacote não é eleitoral, mas o necessário para aquecer a economia e proteger os trabalhadores brasileiros dos impactos da guerra entre (o presidente dos Estados Unidos, Donald) Trump e o Irã nos combustíveis e tirar um pouco do sufoco que as famílias estão sofrendo com o endividamento. O País não deixa de ter governo por causa do período eleitoral.” (Com informações da Folha de S.Paulo)
Após enviar seu primeiro comentário, você receberá um email de confirmação. Clique no link para verificar seu email - depois disso, todos os seus próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!
Você só precisa verificar uma vez a cada 30 dias.