Sábado, 25 de julho de 2026

Sábado, 25 de julho de 2026

Voltar Governo Lula tem que decidir pelo diálogo ou enfrentamento, avalia líder do partido União Brasil no Senado

Líder do União Brasil no Senado, Efraim Filho defende que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisa decidir pelo diálogo ou enfrentamento na relação com o parlamento.

Em entrevista ao jornal O Globo, o senador, do partido da base da gestão petista, afirmou que o Congresso não dará espaço para a “gastança desenfreada para viabilizar projetos eleitoreiros” do Executivo.

1) O governo sofreu a maior derrota no Congresso com a derrubada do decreto que elevou o IOF. Essa crise vai aumentar ainda mais?

O que vi foi uma reação do Congresso tentando se posicionar. O Congresso não pode ser alvo preferencial do ministro da Fazenda (Fernando Haddad), se é o Congresso que dá sustentabilidade a esse governo, desde a PEC da Transição. Fica claro que o PT não tem uma base para chamar de sua nem condições de impor uma agenda, mas tenta fazer isso à força. Agora é a hora de o governo decidir se parte para o diálogo ou insiste no enfrentamento.

2) O Planalto vinha apostando em uma relação direta com os presidentes Hugo Motta (Câmara) e Davi Alcolumbre (Senado). Esse modelo não gera muita dependência?

Isso não é causa, é consequência. O governo abdicou de lançar candidatos próprios às Casas por saber que não conseguiria impor a sua agenda. O resultado foi dois presidentes eleitos com apoios do governo e da oposição. Com isso, o centro ganhou força nessa eleição, pelo seu poder de aglutinar. O caminho que sobra ao governo é articular com dois presidentes empoderados depois dessas eleições.

3) O União Brasil tem ministérios e um pré-candidato de oposição. Como fica a posição em relação às eleições do ano que vem?

O União tem uma candidatura posta, que é a do governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Ele tem resultados expressivos na segurança pública do seu estado e é um grande articulador político. Ele tem a missão de se viabilizar neste ano de 2025. Mas existe espaço para dialogar com a centro-direita sobre alianças. Ainda é algo prematuro de ser tomado agora, mas há essas possibilidades.

4) Qual seria um prazo razoável para a entrega dos ministérios da federação União-PP se isso acontecer?

Se o compromisso é governabilidade, o prazo é 2025. Em 2026, é impossível dissociar a agenda política da eleitoral.

5) O senhor foi eleito com apoio de Jair Bolsonaro. Com ele inelegível, o senhor acredita que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freiras, é a opção mais factível da direita hoje?

Tarcísio traz o eleitor bolsonarista e o de centro também. Isso é decisivo para vencer as eleições.

6) O União Brasil anunciou a federação com o PP, o que aumenta a força no Congresso. Há muitos nomes de oposição. Isso vai dificultar a relação com o governo?

Vai trazer mais independência nesse trato, o que significa mais autonomia. Não vai haver subserviência ou submissão da federação ao governo. PP e União avançam na identidade e com aspecto majoritário de centro-direita. São partidos que têm contribuído com a governabilidade, em temas econômicos, mas têm se preservado em relação a pautas de comportamento.

7) O senhor assumiu a presidência da Comissão de Orçamento do Congresso. Como garantir que o orçamento de 2026 será votado ainda neste ano?

O orçamento passou a fazer parte da agenda política do Brasil, não é mais uma peça meramente técnica. Começamos os trabalhos deste ano com atraso, mas vamos conseguir recuperar o tempo perdido. Em termos de cronograma, estamos construindo para votar até dezembro, apesar dos atrasos no orçamento deste ano. Precisamos trazer o sentimento de equilíbrio e responsabilidade fiscal. Não vamos dar espaço para gastança desenfreada para viabilizar projetos eleitoreiros em virtude das eleições. As agendas do ministro Haddad, com taxações e mudanças tributárias, avançaram muito nos últimos anos, mas já deu. Quem produz já está pagando muito imposto. Precisamos pensar nas despesas, eliminar desperdícios e custos desnecessários.

8) Em relação ao volume de emendas que será registrado, já temos uma ordem de grandeza? Como vê esse poder do Congresso?

Saímos do orçamento autorizativo, quando o governo autoriza as emendas, e fomos para o orçamento impositivo, que dá protagonismo ao Congresso em relação ao orçamento. A CMO (Comissão Mista de Orçamento) vai priorizar isso, não queremos voltar a um tempo do toma lá dá cá do governo impondo a sua agenda através do orçamento. Hoje, o governo precisa ter argumentos para impor as suas pautas. Essa discussão de emendas ganha notoriedade, mas quando se olha para o orçamento, 90% de gastos são obrigatórios, que é onde mora o grande drama fiscal. (Com informações do jornal O Globo)

 

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