Segunda-feira, 27 de abril de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 26 de abril de 2026
A transmissão de comando da 6ª Divisão de Exército, realizada em Sapucaia do Sul, vai além da troca de liderança: consolida uma mudança estrutural na atuação do Exército Brasileiro no Sul, onde defesa territorial e resposta a desastres passam a operar de forma integrada. Ao assumir, o general de divisão Flávio Moreira Mathias herda uma engrenagem estratégica em plena transformação.
Subordinada ao Comando Militar do Sul, a Divisão responde por cerca de 65% do território do Rio Grande do Sul, incluindo a faixa de fronteira com o Uruguai, corredores logísticos e áreas-chave do agronegócio. É uma região que exige prontidão permanente — tanto para a defesa quanto para crises cada vez mais frequentes.
Essa inflexão deixou de ser projeção e se tornou realidade após as enchentes de 2024. A atuação militar passou a integrar o núcleo das respostas emergenciais no estado. A 6ª Divisão de Exército esteve no epicentro dessa mobilização: durante a Operação Taquari, manteve tropas em ação por mais de 60 dias e participou do resgate de cerca de 13 mil pessoas, em uma das maiores operações humanitárias já conduzidas pela força no Rio Grande do Sul.
O general Jayro Rocha Junior, que deixa o comando, define o período com uma síntese direta: “É um sentimento de muito orgulho de ter comandado tropas com tamanha dedicação e marcialidade”. Ele destacou o desempenho contínuo nas operações e o vínculo com a população. “O comprometimento de cada soldado com a missão nos deixa sempre cheios de orgulho.” Ao se despedir, projetou continuidade: “Desejo ao meu sucessor muito sucesso. É um profissional exemplar e terá grandes realizações à frente da Divisão.”
Ao assumir, Mathias reforça o peso institucional do cargo e sua conexão pessoal com o estado. “O sentimento é de orgulho e felicidade. Profissionalmente, é uma divisão histórica, com forte integração com a sociedade. E, pessoalmente, é especial poder servir próximo da família após tantos anos de carreira”, afirmou, citando a relação construída ao longo de décadas com Porto Alegre e o interior gaúcho.
Recém-chegado de missão nos Estados Unidos, o novo comandante traz uma visão orientada à modernização. “Foi uma experiência muito proveitosa. As Forças Armadas americanas são referência em tecnologia e organização, e aprendemos bastante sobre como antecipar e responder a problemas militares”, disse. Parte desse repertório deve ser incorporada à preparação para cenários extremos.
Apesar da troca de comando, a diretriz é de continuidade. “O Exército mantém seus projetos e planejamento estratégico. O general Jayro fez um trabalho excepcional, e a responsabilidade de dar sequência é muito grande”, afirmou.
Na prática, o objetivo é ampliar a capacidade de resposta sem perder a vocação operacional. “Nossa estrutura é flexível e preparada para atuar em qualquer cenário. A logística e o treinamento contínuo permitem apoiar rapidamente a defesa civil”, explicou. Ele destacou ainda a importância da preparação coletiva. “O uso de tecnologia para alertas e a conscientização da população são fundamentais. Em situações extremas, todos precisam atuar de forma integrada.”
Com cerca de 7.700 militares, meios blindados e capacidade de atuação simultânea em múltiplos eixos, a Divisão se consolida como um dos principais instrumentos de presença do Estado no Sul — da vigilância de fronteiras ao apoio humanitário. A escolha de Sapucaia do Sul para a cerimônia reforça essa lógica, aproximando o comando de áreas metropolitanas densas e mais expostas a eventos climáticos.
O contexto internacional também adiciona complexidade ao cenário. Em um ambiente de atenção crescente à segurança de fronteiras e combate a ilícitos transnacionais, o fortalecimento da estrutura no Sul dialoga com desafios contemporâneos, ainda que o Brasil mantenha sua tradição diplomática.
Ao deixar o cargo, Jayro Rocha Junior segue para Brasília, onde assume a função de subcomandante logístico. Mathias inicia o comando com uma missão clara: sustentar a prontidão militar e aprofundar a integração com a sociedade em um estado marcado por eventos extremos e relevância estratégica.
Mais do que uma troca de comando, a movimentação na 6ª Divisão de Exército confirma uma transição silenciosa e estrutural: o Exército no Sul deixa de atuar apenas como força de dissuasão para se afirmar como pilar permanente na gestão de riscos e na proteção da população — um papel que tende a se intensificar nas próximas décadas.(por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)
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