Sábado, 16 de maio de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 16 de maio de 2026
Um fundo ligado às empresas do advogado Paulo Calixto, responsável técnico pela imigração do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro para os Estados Unidos, e gerido pelo ex-secretário nacional de Cultura André Porciuncula – um aliado de longa data da família Bolsonaro – comprou uma casa em fevereiro deste ano na cidade de Arlington (Texas). O município é o mesmo em que Eduardo vive.
A transação foi revelada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo jornal O Estado de S.Paulo em consulta a registros de imóveis no Texas e a dados compilados por imobiliárias locais. O responsável pela compra da casa em Arlington foi o fundo Mercury Legacy Trust, que aparece como um dos membros de uma empresa de gestão de capital pertencente a Calixto: a Calixsan Capital Management.
Procurado por meio de mensagem, Eduardo não respondeu até a publicação deste texto. Paulo Calixto foi contatado por meio de formulário eletrônico do seu escritório e não retornou. André Porciuncula afirmou que a questão “não tem nada a ver com Eduardo, fundo ou qualquer coisa relacionada ao filme (’Dark Horse’)”. “Eduardo nunca morou ou usou essa casa. Calixto foi apenas o advogado que montou a estrutura jurídica”, afirmou o ex-secretário de Bolsonaro.
O Mercury Legacy Trust figura, no entanto, sob gestão de Porciúncula e uma mulher chamada Juliana Lima de Andrade. As informações estão disponíveis no documento de venda da casa. A transação do antigo proprietário para o fundo ligado a Calixto e sob gestão de Porciúncula foi efetivada no dia 27 de fevereiro deste ano. Juliana Lima de Andrade não foi encontrada pela reportagem, mas o espaço segue aberto para manifestação.
O valor estimado da casa oscila entre US$ 708 mil e US$ 789 mil, de acordo com uma imobiliária local que reúne informações imobiliárias a partir de bases de dados do Texas. A residência tem quatro quartos, três banheiros, cozinha, sala e duas vagas de estacionamento.
Pelas regras de imigração americanas, Eduardo não é autorizado a trabalhar. O ex-deputado cassado afirma manter a vida nos Estados Unidos, onde reside há mais de um ano, por meio de doações, especialmente do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Esse foi um dos motivos que gerou suspeita de que Eduardo poderia ter se beneficiado de repasses feitos por outras figuras no Brasil. O site Intercept Brasil revelou que o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), cobrou e recebeu mais de US$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes bilionárias por meio do Banco Master.
O dinheiro arrecadado com o dono do Master foi remetido ao fundo Havengate Devolpment Fund, que é administrado por Calixto – o advogado de imigração de Eduardo -, sob a alegação de custear o filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Bolsonaro. Em nota, a produtora do filme, a Go Up Entertainment e o produtor executivo e deputado federal Mário Frias (PL-SP) negaram num primeiro momento terem recebido dinheiro de Vorcaro para bancar a produção. A Go Up não se manifestou novamente, mas Frias ajustou o discurso após contradizer Flávio.
A Polícia Federal (PF) vai investigar se os pagamentos de Vorcaro a pedido de Flávio foram repassados a Eduardo para bancar a sua estadia nos Estados Unidos. O ex-deputado se mudou para o País com o objetivo de fazer lobby para que as autoridades americanas pressionassem o Judiciário e o governo brasileiro contra a prisão de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e pela anistia aos envolvidos na trama golpista.
(Com O Estado de S.Paulo)
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