Segunda-feira, 04 de maio de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 4 de maio de 2026
Dados apresentados pela Polícia Federal (PF) apontam que 42,5% das fraudes financeiras no Brasil estão sendo conduzidas com utilização de ferramentas de inteligência artificial. O uso de deepfakes, por exemplo, cresceu 830% entre 2024 e 2025, colocando o País na liderança desse tipo de crime na América Latina. São vídeos e áudios falsos gerados por IA para enganar as vítimas.
Segundo a PF, o Brasil já é um dos maiores produtores mundial de malware – programas criados para roubar dados bancários de clientes. As informações estão em um relatório produzido pela Signicat, especializada em prevenção de fraudes digitais, em parceria com a Consult Hyperion, expert em sistemas de pagamento e identidade digital.
Conforme o Ministério da Justiça e da Segurança Pública (MJSP), houve sofisticação da ação criminosa, com o uso de ferramentas avançadas de engenharia social – manipulação psicológica de pessoas para que repassem dados confidenciais ou transfiram dinheiro – e a escalada da utilização da IA para criação de identidades sintéticas, falsificação de documentos e deepfake.
Já ocorre também a internacionalização das redes criminosas, com a adoção de sofisticados processos de escoamento, distribuição e lavagem de dinheiro, com o uso de criptoativos, pagamentos de contas de consumo e de arrecadação, e ainda de casas de apostas não autorizadas. Isso inclui o aliciamento de colaboradores em instituições financeiras e de terceiros para a habilitação de contas laranjas. Devido à sofisticação, à alta incidência e ao grande impacto na vida das pessoas, os crimes cibernéticos se tornaram um dos focos principais da atuação da PF. As operações contra esse tipo de fraude passaram de cerca de 300 em 2022 para mais de 1 mil por ano desde 2024.
A ousadia das quadrilhas ficou evidente na Operação Fake PF, desencadeada neste ano para desarticular uma associação criminosa que usava imagens, como brasão e distintivos da PF, em golpes virtuais. Os investigados se passavam por policiais federais e, por meio da internet e de contatos telefônicos, abordavam empresários de diversos segmentos, oferecendo “favorecimentos” em troca de pagamentos destinados a páginas virtuais vinculadas ao esquema. Era comum o emprego de ameaças para a extorsão de valores.
Além da IA, os golpistas usam o machine learning (aprendizado de máquina) para automatizar os ataques e dar aparência real às fraudes. Dados da Serasa Experian apontam que o País registra média de uma tentativa de fraude digital a cada 2,2 segundos. Em todo o ano passado, foram cerca de 14 milhões de tentativas de fraude, segundo projeção da Datatech – até setembro, o número estava próximo de 11 milhões de ocorrências.
Nas deepfakes de vídeo e imagem, os golpistas criam vídeos de figuras públicas, influenciadores ou pessoas comuns para endossar produtos falsos e pedir doações, muitas vezes concorrendo a prêmios inexistentes. Além de trocar rostos, os softwares avançados conseguem sincronizar movimentos labiais para reproduzir a fala com precisão.
Por meio da IA, criminosos podem replicar a voz de familiares, usando o recurso em ligações para solicitar transferências urgentes via Pix, explorando o fator emocional – o parente se envolveu em acidente ou foi vítima de sequestro relâmpago. Para a imitação, as vozes são captadas em postagens de redes sociais.
A IA é usada também para criar documentos falsos realistas, como CNHs, comprovantes bancários e de residência, facilitando a abertura de contas fictícias e a tomada de empréstimos em nome da vítima. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)
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