Domingo, 20 de setembro de 2026

Domingo, 20 de setembro de 2026

Voltar Entenda o que ainda precisa ser definido no julgamento sobre o ministro do Supremo Alexandre de Moraes

A sessão inédita do Supremo Tribunal Federal (STF) que começou a discutir a abertura ou não de uma apuração contra o ministro Alexandre de Moraes deu sinais de que ainda existem várias questões em aberto que precisam ser definidas pelo plenário que vão além de um julgamento em conjunto com André Mendonça. Entre os pontos centrais estão o rito para a análise de uma apuração contra ministros da Corte e se uma investigação depende de um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Em outra frente, o presidente do Supremo, Edson Fachin, ainda precisa decidir sobre o afastamento ou não do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, que também divide as duas alas do Supremo, e a retomada dos inquéritos do Master e do INSS, que estão paralisados na Presidência. A medida foi determinada por Fachin em meio aos embates na Corte.

Primeiro, Mendonça tirou o sigilo de um relatório que indicou Moraes como interlocutor de 52 mensagens de Daniel Vorcaro. Em retaliação, Moraes enviou um relatório de inteligência feito pela PF questionando a condução de Mendonça nos inquéritos.

Nos bastidores, ministros apontam que ainda há dificuldades para construir uma saída institucional para a crise sem precedentes e instalada há mais de 15 dias, que já levou a bate-bocas e trocas de acusações públicas, guerra de liminares e a cancelamento de sessões, prejudicando o avanço da pauta de julgamentos. No Supremo, há quem aposte que uma solução possa só começar a se desenhar após as eleições e um dos caminhos seria avançar com medidas não só contra Moraes e Mendonça, mas também em relação aos demais integrantes da Corte que tiveram menções no caso Master ou parentes.

Mas, por enquanto, não há indicação de que nenhuma ala mostre disposição de fazer alguma composição. A análise sobre Moraes foi suspensa após pedido de vista do ministro Flávio Dino, que tem até 90 dias para devolver o caso para julgamento. O caso é inédito no Supremo. Nunca a Corte discutiu a abertura de uma investigação de um integrante. Até mesmo o rito de julgamento, com os procedimentos que deveriam ser adotados, eram desconhecidos e só foram divulgados na véspera da sessão.

Uma questão levantada por Alexandre de Moraes levou Fachin a indicar uma nova divergência no julgamento. Para o presidente, o plenário poderia determinar uma apuração contra um ministro, mesmo sem pedido da PGR ou da PF.

Fachin argumentou que, na hipótese de a maioria rejeitar a nulidade pedida pela PGR, caberia ao plenário decidir se abre ou não a investigação contra Moraes.

“Na interpretação que fiz, se o tribunal não acolher a preliminar caberia ao tribunal dizer se autoriza ou não autoriza o prosseguimento da investigação”, afirmou.

Moraes afirmou que, no caso de rejeição do pedido de nulidade, a petição deveria ser devolvida à PGR para nova manifestação. Já Fachin argumentou que o tribunal pode avaliar se há indícios que justifiquem a abertura de uma investigação antes de enviar o caso à PGR.

“O tribunal pode eventualmente dizer que talvez haja hipoteticamente alguma razão para investigar, mas ouço o titular da ação penal, mas isso em um momento subsequente se a preliminar for afastada”, afirmou.

Moraes rebateu: “Então, se não aprovar [a nulidade], significa que o plenário vai estar alterando posicionamento da titularidade da ação penal. Se vossa excelência está dizendo que ao não arquivar o plenário pode dizer que pode ser que haja indícios, o plenário está substituindo o titular da ação penal”.

Julgamento

Durante a sessão, Fachin e Moraes divergiram sobre o que de fato seria julgado após a votação da questão de ordem apresentada.

“Nós não temos o procedimento para essa situação, o ministro Flávio Dino bem disse”, afirmou Moraes durante o julgamento.

Para Moraes, o único pedido existente dentro do processo é um pedido de nulidade, apresentado pela PGR, do relatório elaborado pela PF.

A PGR argumentou que Mendonça agiu como investigador e determinou a apuração contra um colega sem autorização do plenário, órgão competente para autorizar a investigação contra um integrante do tribunal.

“Consta pedido de investigação feito pela Polícia Federal? Não. Consta pedido de investigação feito pela Procuradoria Geral da República? Não. Consta pedido de investigação feito pelo ministro André Mendonça? Não. Consta algum pedido de investigação com relação a mim? Não. Vossa excelência vai votar o que, presidente? Vai votar um pedido do quê?”, questionou Moraes.

Por isso, para o ministro, não haveria espaço para o plenário decidir sobre abertura ou não de investigação. Caso contrário, segundo Moraes, o tribunal estaria decidindo abrir de ofício — sem pedido da PGR e da PF — uma investigação contra um integrante da Corte.

 

Voltar

Compartilhe esta notícia:

Deixe seu comentário
0 0 votos
Classificação do artigo
Verificação de Email (apenas uma vez)

Após enviar seu primeiro comentário, você receberá um email de confirmação. Clique no link para verificar seu email - depois disso, todos os seus próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

Você só precisa verificar uma vez a cada 30 dias.

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa Domingão Da Caiçara