Quinta-feira, 30 de maio de 2024

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Voltar Entenda em cinco pontos como o corte da Selic afeta a sua vida

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu pela redução de 0,5% da taxa Selic de 13,75% para 13,25% ao ano. A reunião do Copom nesta quarta-feira (2) definiu o primeiro corte da taxa básica de juros em três anos. A última queda havia acontecido em agosto de 2020, durante a pandemia de Covid-19, quando a taxa Selic caiu de 2,5% para 2% ao ano.

Desde então, o índice registrou subidas paulatinas até alcançar o patamar de 13,75% em agosto do ano passado. O corte sinaliza, aos olhos dos analistas, o início de um ciclo de queda nos juros. A taxa estava no patamar de 13,75% desde agosto de 2022, provocando queixas do presidente Lula e de empresários. Abaixo, veja como a taxa Selic altera o seu dia a dia.

1. Endividamento 

O possível ciclo de queda deve trazer algum alívio para quem está endividado. Isso porque os bancos se baseiam na taxa Selic para definir os juros a serem cobrados nos empréstimos. De acordo com dados do Serasa, o Brasil superou neste ano a marca de 70 milhões de brasileiros com o CPF negativado, ou seja, com dificuldades para pagar as contas em atraso, segundo o Serasa.

O governo lançou em julho programa Desenrola com o objetivo de acelerar a renegociação de dívidas e afirma que ‘quase’ R$ 3 bilhões de dívidas já foram renegociadas. A meta é R$ 50 bilhões.

“O consumidor vai sentir um desafogo no crédito. Ele vai perceber taxas de juros menores e uma inadimplência menos assustadora”, diz Fábio Bentes, economista da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

2. Crédito para as empresas
Diferentes empresas têm suas dívidas atreladas à Selic, por isso, há uma série de setores com alta sensibilidade à variação da taxa de juros. Com o patamar elevado da Selic, tem sido mais difícil para as companhias levantarem recursos.

Outro obstáculo recente foi a crise da Americanas, que afetou o mercado de debêntures, que são títulos de dívidas emitidos por empresas de capital aberto na bolsa, como uma forma delas se capitalizarem para além dos bancos.

Desde o rombo na varejista, uma série de fundos foram afetados e o mercado de crédito ficou mais escasso. Com os juros em 13,75% ao ano, o custo das emissões também ficou mais alto.

3. Crédito imobiliário
O crédito imobiliário tende a ficar menos custoso. Isso porque o patamar da Selic serve de referência para os bancos definirem as suas taxas de juros.

E as parcelas de um financiamento dependem dos juros praticados pelas instituições financeiras no momento da contratação do crédito.

“A construção civil é muito sensível a juros. A expectativa de redução dos juros favorece a decisão do consumo. Estamos preparando o terreno para uma retomada do mercado imobiliário”, diz Roberto Padovani, economista-chefe do BV.

4. Atividade econômica
Uma taxa de juros menor torna o crédito e os investimentos mais baratos. As famílias se sentem mais incentivadas a comprar bens de maior valor agregado, como carros e imóveis. Ou ampliam o consumo de outras despesas como viagens e eletrodomésticos, por exemplo.

“Estamos com uma janela de reativação da economia pelo menos até o final do ano. Os juros tendem a estar menores daqui pra frente e as expectativas de inflação para 2024 convergem para um patamar mais baixo. São notícias boas para segmentos que dependem do crédito”, diz Bentes.

5. Aplicações financeiras
A Selic também influencia as taxas das aplicações financeiras. Com a queda dos juros, os produtos de renda fixa tendem a perder atratividade ao longo do tempo. Ainda assim, segundo especialistas, esse cenário não é imediato.

A classe continua apresentando bons retornos, uma vez que o patamar da Selic continua alto e a inflação está em trajetória de queda. Nesse sentido, aplicações ligadas à Selic ou ao CDI ainda oferecem oportunidades. Para os investidores que aceitam tomar mais risco, outras opções são os prefixados, que oferecem como rendimento apenas uma taxa fixada na compra.

 

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