Sábado, 27 de junho de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 7 de junho de 2026
O governo Trump usou uma investigação sobre trabalho forçado para elevar sua tarifa global de 10% para 12,5% e colocar o comércio com a China no alvo, segundo especialistas ouvidos pela Folha. A medida foi detalhada em um relatório publicado na madrugada de terça-feira (2).
Caso os EUA confirmem a medida e também a tarifa de 25% por supostas práticas desleais do Brasil, incluindo o Pix e a pirataria na rua 25 de Março na capital paulista, parte dos produtores brasileiros será alvo de uma sobretaxa total de 37,5%.
O escritório do representante de Comércio dos EUA (USTR, em inglês) colocou como exceções para as taxas uma lista de produtos com potencial de pressionar ainda mais a inflação dos americanos. Segundo estimativa do governo brasileiro, 21,5% das exportações aos EUA seriam afetadas pelas taxas.
Como ficam as tarifas sobre o Brasil
O Brasil já pode ser alvo de uma tarifa de 25% devido à investigação dos EUA sobre suposta concorrência desleal das empresas brasileiras. A decisão sobre aplicação ou não cabe ao presidente dos EUA, Donald Trump.
Como os EUA praticamente repetiram nas duas apurações do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) a lista de exceções, que inclui itens com potencial inflacionário sobre a economia americana, as sobretaxas de 12,5% e 25% se aplicariam e se somariam na mesma gama de produtos. O total seria de 37,5%.
Nova tarifa substitui sobretaxa global
A alíquota de 12,5% substituiria a atual sobretaxa de 10% aplicada a todos os parceiros comerciais dos EUA. A investigação contra trabalho forçado abordou 60 países que representam 99% do comércio externo americano e encontrou falhas em todo o grupo.
Após a Suprema Corte americana declarar o primeiro tarifaço de Trump inconstitucional, o presidente dos EUA recorreu à seção 122 da Lei de Comércio de 1974 dos Estados Unidos para instituir uma nova taxa global de 10%. Essa legislação autoriza o presidente a impor tarifas temporárias sobre bens importados para lidar com balanços de pagamentos e emergências financeiras.
O que ficou fora da sobretaxa?
Na investigação contra o Brasil, o USTR poupou produtos considerados estratégicos para a economia dos Estados Unidos ou que poderiam provocar aumento de preços e problemas de abastecimento caso fossem sobretaxados. Os itens também aparecem como exceções na investigação contra trabalho forçado.
Entre os itens que ficaram fora da tarifa estão:
Café
Carne bovina
Suco de laranja
Frutas tropicais, como manga, banana, abacaxi e mamão
Medicamentos e vacinas
Petróleo, gás natural e diversos minérios
Componentes e equipamentos da indústria aeronáutica
As maiores preocupações, porém, estão concentradas nos produtos industrializados que não aparecem na lista de exceções.
Segundo estimativas de economistas e entidades empresariais, os segmentos potencialmente mais afetados incluem máquinas e equipamentos, produtos elétricos, madeira e manufaturados de madeira, móveis, parte da indústria de transformação, além de têxteis, confecções e calçados.
Para esses setores, a tarifa pode representar perda de competitividade em relação a concorrentes de outros países e dificultar a ampliação das exportações para o mercado americano.
Qual o escopo da investigação dos EUA
Os EUA investigaram se 60 países conseguiram impor ou aplicar de forma eficaz a proibição de importar bens produzidos com trabalho forçado. O USTR considerou que todos, que representam 99,4% do comércio externo americano, falharam em atingir os padrões necessários.
O que foi investigado
O escritório do representante de comércio dos EUA analisou estatísticas oficiais de comércio entre 2024 e 2026 para mapear o fluxo de insumos suspeitos.
Nesse trabalho, foi considerado, por exemplo, se o Brasil compra alumínio bruto de regiões chinesas acusadas de trabalho forçado e depois exporta autopeças ou aviões para os EUA. Daí o critério de contaminação da cadeia é acionado.
Quem seria punido
O Brasil não tem uma proibição legal explícita contra a importação de produtos feitos com trabalho escravo, junto com China, Japão, Nova Zelândia, Suíça e Reino Unido. No total, são 54 países nessa lista.
Os outros seis países investigados não tiveram capacidade real de fiscalização em suas alfândegas. São eles: Canadá, Equador, União Europeia, Indonésia, México e Paquistão.
O que foi dito sobre o Brasil
A investigação aponta que o Brasil importa insumos críticos de países que usam trabalho forçado, como a China, e possui setores que exportam diretamente para o mercado americano.
Qual a justificativa dos EUA
O escritório, comandado pelo embaixador Jamieson Greer, afirma que a leniência com essa prática se tornou um fardo sobre o comércio norte-americano e recomendou a aplicação de tarifas compensatórias.
Greer chamou a prática de dumping social: a redução artificial dos custos de produção por meio do trabalho forçado, gerando lucros fora das condições de mercado e criando uma concorrência desleal contra quem segue as regras —os produtores americanos no caso.
Segundo o embaixador, os EUA proíbem o trabalho escravo de entrar nos EUA. “Se os nossos parceiros comerciais não proíbem isso nas fronteiras deles, o produto contaminado por dumping social entra no mercado deles, reduz os custos das empresas locais e cria uma concorrência desleal contra os trabalhadores americanos.” Com informações da Folha de S. Paulo.
Após enviar seu primeiro comentário, você receberá um email de confirmação. Clique no link para verificar seu email - depois disso, todos os seus próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!
Você só precisa verificar uma vez a cada 30 dias.