Domingo, 18 de outubro de 2026

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Voltar Empresária amiga de Lulinha rebate Lula e diz que virou “boi de piranha”

A empresária e lobista Roberta Luchsinger rebateu as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que a chamou de “pilantra”, e afirmou que foi colocada na posição de “boi de piranha” em meio às investigações que envolvem seu nome e o de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. Em entrevista à CNN Brasil, ela também disse que pretende fazer uma delação premiada e relatou receber ameaças de morte.

Roberta e Lulinha são investigados em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) que apuram suspeitas de tráfico de influência em órgãos do governo federal para beneficiar empresários. As investigações tiveram desdobramentos após a apreensão do celular da lobista pela Polícia Federal.

“Eu não sou pilantra. Eu sou uma mulher sozinha com duas filhas”, afirmou Roberta. Ela disse que passou a sofrer ameaças contra si e contra as filhas após Lula criticá-la publicamente. Segundo a empresária, as declarações do presidente contribuíram para aumentar as agressões e a exposição de sua família.

A expressão “boi de piranha” foi utilizada por Roberta para questionar o tratamento dado por Lula a ela e ao próprio filho. A empresária afirmou que o presidente a responsabilizou publicamente, enquanto contestou as suspeitas relacionadas a Lulinha.

Em entrevistas anteriores, Lula classificou a lobista como “pilantra” e a comparou ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, afirmando que ela teria enganado diversas pessoas. O presidente também declarou que duvidava que o filho tivesse feito lobby com ministros do governo ou tratado de contratos públicos com integrantes da administração federal.

Roberta contestou essa versão e disse ter presenciado Lulinha em reuniões com ministros em diversas ocasiões. Segundo ela, o filho do presidente frequentava encontros com integrantes do governo e chegou a viajar para a casa do ministro Camilo Santana, no Ceará. A empresária, porém, não especificou os assuntos tratados nessas conversas.

Em nota, Camilo Santana negou ter se reunido com Lulinha para tratar de assuntos do governo ou de negócios e afirmou não ter relação com Roberta.

Durante a entrevista, Roberta declarou que deseja firmar um acordo de delação premiada e que está disposta a colaborar com as autoridades. Ela afirmou que pode fornecer informações que não estariam registradas nas mensagens de celular examinadas pelos investigadores.

A empresária disse que não pretende poupar ninguém caso decida colaborar, embora sustente que não considera ter cometido crimes. Para que uma delação premiada seja formalizada, é necessário que o colaborador apresente informações e provas relevantes para as investigações, observados os requisitos legais.

Em manifestação divulgada após as declarações da lobista, Lula negou ter mantido interlocução com Roberta Luchsinger e afirmou desconhecer os fatos relatados por ela. O presidente também questionou o momento em que as acusações vieram a público, às vésperas do segundo turno da eleição presidencial.

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