Terça-feira, 13 de outubro de 2026

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Voltar Em decisão que afastou chefe da Polícia Federal, ministro do Supremo André Mendonça diz que ele próprio foi monitorado de forma ilegal

A decisão de André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que determinou o afastamento de Andrei Rodrigues da direção da Polícia Federal se baseia na produção de um relatório que, segundo o ministro, seria fruto de um monitoramento “de forma ilegal e sistemática” sobre ele pela PF.

Os documentos da inteligência da PF não apontam, contudo, ter havido vigilância física, interceptação telefônica ou dados de localização sobre Mendonça. O material é uma junção de diversas análises de inteligência que foram demandadas pelo ministro Alexandre de Moraes.

O relatório trata de informações sigilosas sobre inquéritos, contém relatos sobre reuniões fechadas de delegados com Mendonça e faz inferência sobre como o ministro tomou decisões, mas não apresenta sinais de que o ministro foi alvo de espionagem ou de monitoramento físico.

Mendonça, por sua vez, queixa-se de monitoramento feito há cerca de 30 dias.

“Importa registrar que este relator foi submetido a monitoramento sistemático por parte da inteligência da Polícia Federal”, disse o ministro na decisão desta terça-feira (8) em que determina o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da PF.

Mendonça afirma que as análises foram produzidas entre 6 e 31 de agosto e que, por isso, ele estaria sendo monitorado “ao menos há mais de 30 dias”. “Trata-se de monitoramento ilícito de ministro da Suprema Corte do país, o que por si só revela a gravidade da situação”, disse.

Os documentos apontam uma produção sistemática de informações sobre o ministro. Isso acontece a partir de, por exemplo, relatos de investigadores sobre o que Mendonça disse em reuniões e da percepção deles sobre como o magistrado conduz esses casos. Também lista a diferença de tempo que Mendonça levou para despachar sobre investigações de políticos da direita ou da esquerda.

Não há registros, no documento da PF, de monitoramento seja por meio de vigilância de aparelhos de telefone ou de mensagens. (Com informações da Folha de S.Paulo)

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