Quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 26 de agosto de 2026
Anúncios impulsionados nas redes sociais para atacar adversários e instituições marcaram a estreia da campanha eleitoral de 2026. A prática é proibida pelas regras eleitorais, mas, já nos primeiros dias da disputa, peças contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e o Supremo Tribunal Federal (STF) passaram a circular. A ofensiva expõe a dificuldade do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para fazer cumprir as normas e retirar do ar conteúdos irregulares em tempo hábil.
Em 16 de agosto, teve início a propaganda eleitoral e foi autorizado o impulsionamento de conteúdos para promover candidaturas. Desde então, o Estadão monitora, pela Biblioteca de Anúncios da Meta, peças exibidas no Facebook e no Instagram e identificou anúncios que desrespeitam as regras eleitorais. Neste período, foram cerca de 65,1 mil anúncios políticos, eleitorais ou relacionados a temas sociais circularam nas plataformas da Meta e somaram R$ 7,9 milhões em gastos no Brasil.
Juristas explicam que as regras do TSE permitem que candidatos, partidos e federações paguem às plataformas para ampliar o alcance de conteúdos que promovam suas próprias candidaturas, mas proíbem o uso desse mecanismo para atacar adversários e instituições. Para os especialistas, a circulação dessas peças revela dois problemas para a Justiça Eleitoral: a dificuldade de fazer com que conteúdos irregulares sejam retirados do ar de maneira rápida e a baixa capacidade das sanções para inibir novas violações.
Na largada da campanha, a prática atravessou diferentes níveis da disputa. Candidatos a deputado estadual, deputado federal e senador usaram anúncios pagos para mirar os principais nomes da corrida presidencial, transformando Lula e Flávio em alvos preferenciais desse tipo de propaganda.
Lula foi alvo, por exemplo, de vídeos e peças impulsionadas por candidatos de diferentes cargos. No Rio Grande do Sul, Onyx Lorenzoni (PP), ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro e candidato a deputado federal, chamou o presidente de “líder de quadrilha” e afirmou que o petista é “o mal da nossa nação”. Ramiro Rosário (Novo), candidato a deputado estadual no mesmo Estado, afirmou que “Lula e o PT roubaram os velhinhos do INSS”.
Carlos Nicoletti (PL), candidato ao Senado por Roraima, acusou o PT de mentir e de usar os pobres como “massa de manobra”, além de criticar os gastos do governo com publicidade. Outros anúncios exploraram críticas à condução da economia, a prisão de Lula em processos da Lava Jato e escândalos de corrupção, como o mensalão.
Do outro lado da disputa presidencial, candidatos do PT usaram o impulsionamento de vídeos para mirar Flávio Bolsonaro. Em São Paulo, Luna Zarattini, candidata a deputada federal, aparece em um vídeo no qual é convidada a escolher entre Lula e Flávio. Ao justificar a opção pelo presidente, chama o senador de “o cara da rachadinha”, afirma que ele é “ligado ao V de Vorcaro” e diz que “ninguém quer estar com Flávio Bolsonaro, muito menos as mulheres”. “Nós queremos mulheres vivas, mulheres fortes”, completa.
As referências feitas por Zarattini remetem às mensagens e áudios sobre a negociação de recursos envolvendo Flávio e Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse e à denúncia do Ministério Público do Rio no caso das rachadinhas, posteriormente rejeitada após decisões que anularam provas da investigação. Por meio da assessoria, a candidata afirmou que apenas declarou apoio à reeleição de Lula e mencionou fatos já noticiados pela imprensa sobre Flávio.
No Rio de Janeiro, Dimas Gadelha, também candidato a deputado federal, explorou o tema da soberania nacional para criticar a atuação de Flávio nos Estados Unidos. “O cara trabalhou para os EUA tarifarem o Brasil. Sabe para quê? Para ganhar eleitoralmente. Seu discurso não engana mais ninguém”, afirma. Na mesma linha, o deputado federal Tadeu Veneri (PT-PR), candidato à reeleição, afirmou, em outro vídeo, que o Paraná esteve entre os Estados mais atingidos pelas tarifas e chamou Flávio de “o maior inimigo do Brasil”.
Outras peças também fizeram referência a episódios associados por adversários a suspeitas de corrupção envolvendo o presidenciável.
Para Leandro Consentino, professor do Insper, a estratégia de mirar Lula e Flávio em campanhas de outros cargos se explica pela projeção nacional dos dois e pela polarização da disputa presidencial. “Isso da mais força eleitoral. Lula e Flávio funcionam como se fossem ‘marcas’, ‘grifes’. Eles buscam fazer essa vinculação para obter votos, mobilizando os eleitores”, diz.
A ofensiva contra o Supremo também ganhou espaço entre candidatos ao Senado, que passaram a transformar as críticas à Corte em eixo de campanha. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
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