Sábado, 06 de junho de 2026

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Voltar Dólar sobe e fecha a R$ 5,15, no maior nível em dois meses; Bolsa cai aos 169 mil pontos

O dólar encerrou esta sexta-feira (5) em forte alta frente ao real, avançando 1,78% e fechando cotado a R$ 5,1566, o maior valor desde 2 de abril, quando a moeda norte-americana terminou o dia a R$ 5,1594. Na contramão, o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, recuou 0,77%, aos 169.019 pontos, encerrando abaixo da marca dos 170 mil pontos pela primeira vez desde janeiro.

Com o resultado, o dólar acumulou alta de 2,26% na semana e no mês. No ano, porém, a moeda ainda registra queda de 6,05%. Já o Ibovespa fechou a semana com perda de 1,99%, mesmo percentual acumulado em junho. Em 2026, o índice ainda apresenta valorização de 5,71%.

O principal fator que influenciou os mercados nesta sexta-feira foi a divulgação dos dados de emprego dos Estados Unidos. Segundo o Departamento de Trabalho americano, a economia do país criou 172 mil vagas de trabalho em maio, número significativamente superior às expectativas dos analistas, que projetavam a abertura de 85 mil postos.

Embora o resultado represente uma desaceleração em relação a abril, quando foram criadas 179 mil vagas, dado posteriormente revisado, o mercado interpretou os números como mais uma demonstração da força da economia americana.

Os dados reforçaram a percepção de que o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, poderá manter as taxas de juros elevadas por mais tempo para controlar a inflação. Quando os juros americanos permanecem altos, investidores tendem a direcionar recursos para títulos e ativos dos EUA, considerados mais seguros e rentáveis. Esse movimento fortalece o dólar globalmente e reduz o fluxo de capital para mercados emergentes, como o Brasil.

O impacto é sentido tanto no câmbio quanto na bolsa. Com a valorização da moeda americana, o real perde força, enquanto o mercado acionário brasileiro tende a sofrer com a saída de investidores estrangeiros. Além disso, um dólar mais caro pode pressionar a inflação brasileira ao encarecer produtos importados e insumos utilizados pela indústria nacional.

Esse cenário também aumenta as expectativas de manutenção de juros elevados no Brasil por mais tempo, o que pode limitar o crescimento da atividade econômica.

As tensões geopolíticas no Oriente Médio também permaneceram no radar dos investidores. Nesta sexta-feira, o governo do Líbano acusou o Irã de utilizar o país como “moeda de troca” nas negociações com os Estados Unidos. O território libanês voltou a ser alvo de ataques aéreos israelenses, enquanto o governo iraniano reiterou que qualquer avanço nas negociações com Washington depende da interrupção dos bombardeios.

Apesar do cenário de instabilidade geopolítica, os preços internacionais do petróleo registraram queda. Por volta das 17h, o barril do Brent, referência global, recuava 2,16%, negociado a US$ 92,98. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, caía 2,96%, para US$ 90,29 por barril.

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