Sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Voltar Dólar salta aos R$ 5,22, maior valor desde março, e Bolsa cai pela nona vez seguida

O dólar fechou em alta nesta sexta-feira (14), com avanço de 0,52%, cotado a R$ 5,2194. Na máxima do dia, a moeda norte-americana chegou a R$ 5,2489. Com o resultado, acumulou alta de 1,88% na semana e de 2,16% em agosto. No ano, porém, registra queda de 5,64%.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, recuou 0,13%, aos 166.891 pontos. Foi a nona sessão consecutiva de baixa do indicador. Na semana, o índice acumulou queda de 3,06% e, em agosto, recua 6,05%. No acumulado de 2026, o Ibovespa ainda registra alta de 3,79%.

O mercado brasileiro foi pressionado pela maior cautela dos investidores diante do cenário eleitoral e das incertezas econômicas e geopolíticas. No início da semana, o JPMorgan reduziu sua recomendação para os investimentos no Brasil de “compra” para “neutra”, sinalizando uma avaliação menos otimista sobre os ativos do país.

A proximidade das eleições presidenciais também mantém os investidores atentos às propostas dos candidatos para as políticas fiscal e monetária. A nova pesquisa eleitoral Genial/Quaest, divulgada nesta sexta-feira, esteve entre os principais fatores acompanhados pelo mercado.

Outro ponto de atenção foi o início do processo pelo governo brasileiro para aplicar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos, em resposta às tarifas impostas pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros. A legislação permite que o Brasil adote medidas, restrições ou tarifas equivalentes às aplicadas por outro país.

Na agenda econômica, o IBGE divulgou os dados da Pnad Contínua Trimestral. A taxa de desocupação ficou em 5,4% no segundo trimestre, enquanto o desemprego recuou em 13 Estados. Nos Estados Unidos, as vendas no varejo registraram queda inesperada em julho.

Tensão no Oriente Médio

As tensões no Oriente Médio também permaneceram no radar dos investidores. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que o Irã poderá enfrentar um isolamento econômico “como o mundo nunca viu”, sinalizando que o governo de Donald Trump pretende ampliar a pressão sobre o país.

A declaração ocorreu em meio à continuidade do conflito na região e às dificuldades para uma solução envolvendo o Irã. Segundo Bessent, o bloqueio do Estreito de Ormuz impede a entrada e a saída de mercadorias dos portos iranianos.

A passagem é considerada estratégica para o mercado global de energia. Antes do conflito, cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo transitava pelo Estreito de Ormuz. A região permanece como um dos principais pontos de tensão entre Teerã e Washington.

O governo iraniano exige autorização para a passagem de navios pelo estreito e avalia a cobrança de taxas de serviço no longo prazo, medidas rejeitadas pelos Estados Unidos.

Em meio à mudança de foco da administração Trump, o vice-presidente americano, JD Vance, afirmou que a prioridade do governo é garantir preços baixos de petróleo e gás para os consumidores dos Estados Unidos. A questão nuclear iraniana, apontada anteriormente como uma das principais justificativas para a ofensiva contra o país, permanece entre os objetivos da política norte-americana.

“O objetivo número um: manter o petróleo e o gás baratos para os americanos em todo o nosso país”, afirmou Vance à Fox News. Em seguida, acrescentou que o segundo objetivo é garantir que o Irã nunca obtenha uma arma nuclear.

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