Quinta-feira, 15 de outubro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 15 de outubro de 2026

Iniciativas da Emater/RS-Ascar fortalecem a autonomia e a participação das mulheres no meio rural
Em 2025, 118.101 mulheres foram atendidas pela Emater/RS–Ascar em todo o Rio Grande do Sul. Destas, 48.954 participaram de ações específicas voltadas ao fortalecimento feminino nos 497 municípios gaúchos, consolidando um protagonismo que transforma famílias, comunidades e a agricultura do Estado.
Agricultoras, pecuaristas, pescadoras, indígenas, quilombolas e assentadas da reforma agrária que ajudam a produzir alimentos, gerar renda e manter vivas comunidades inteiras. Neste Dia Internacional das Mulheres Rurais (15/10), os números revelam a dimensão de uma força que há muito tempo deixou de ser coadjuvante para ocupar posição central no desenvolvimento do campo gaúcho.
Por trás dessas estatísticas estão histórias de trabalho, coragem e liderança. Mulheres que planejam safras, administram propriedades, acompanham a produção, participam da comercialização dos alimentos e ajudam a construir alternativas para um meio rural mais sustentável e inclusivo.
Durante décadas, a mulher rural foi vista apenas como apoio nas atividades da propriedade. Hoje, a realidade é outra. Cada vez mais presentes nos processos de decisão, elas lideram empreendimentos, gerenciam negócios familiares e exercem papel fundamental no fortalecimento da agricultura familiar e das economias locais.
Levantamentos realizados pela Emater/RS-Ascar mostram que 53% das mulheres atendidas têm mais de 50 anos, são casadas e têm filhos. Muitas seguem à frente das atividades produtivas mesmo após a aposentadoria, demonstrando que experiência, conhecimento e dedicação continuam sendo pilares essenciais para o desenvolvimento rural.
Na Região Metropolitana de Porto Alegre, a produtora rural Cristine Saldanha representa milhares de mulheres que transformam diariamente a realidade do campo. Em sua propriedade, a família cultiva hortaliças e frutas em sistema de agrofloresta, conciliando produção agrícola e preservação ambiental.
Para ela, ampliar oportunidades para as mulheres rurais significa enfrentar obstáculos que ainda fazem parte da rotina de muitas produtoras. “Para que essas oportunidades cheguem a todas, é preciso considerar as dificuldades de deslocamento, a falta de transporte e de internet em algumas localidades e a sobrecarga de trabalho e cuidados. Creches, espaços de cuidado durante reuniões e cursos, ações de prevenção e enfrentamento à violência no campo também são essenciais. E, acima de tudo, precisamos ser reconhecidas como agricultoras e participar das decisões sobre as políticas que afetam nossas vidas e nosso trabalho”, destacou.
As palavras de Cristine revelam uma realidade compartilhada em diversas regiões do Estado: produzir alimentos é apenas uma das muitas responsabilidades assumidas por quem também cuida da família, administra a propriedade e busca espaço para participar das decisões que impactam seu futuro.
Foi justamente a partir da escuta dessas mulheres que surgiram novas iniciativas de fortalecimento feminino. Uma pesquisa realizada pela Emater/RS-Ascar identificou o desejo de muitas produtoras por espaços seguros de diálogo, troca de experiências e construção de autonomia.
Dessa demanda nasceu o Curso de (Des)envolvimento para Mulheres Rurais, criado para ampliar oportunidades e fortalecer a participação feminina no meio rural.
“Foi a partir dessa demanda que promovemos desde 2023 o Curso de (Des)envolvimento para Mulheres Rurais. A formação é organizada em módulos e propõe uma caminhada de autoconhecimento, troca de experiências e construção de autonomia”, ressaltou a extensionista rural Clarice Emmel Bock.
Os resultados já aparecem em diferentes regiões do Rio Grande do Sul. O fortalecimento de associações femininas, a ampliação da participação das mulheres em espaços de decisão, o crescimento de iniciativas comunitárias e o aumento da renda de famílias atendidas demonstram o impacto de ações construídas a partir das necessidades apontadas pelas próprias mulheres.
Para Clarice, o acesso à informação continua sendo uma das ferramentas mais importantes para a transformação social. “Nosso trabalho consiste em fazer atividades grupais, de formação e trocas de experiências. Levar informação é também uma forma de viabilizar que as mulheres conheçam seus direitos e tenham mais condições de decidir sobre suas próprias vidas”, concluiu.
Em 2026, declarado pela ONU como o Ano Internacional da Mulher Agricultora, a homenagem ganha significado ainda maior. Reconhecer essas mulheres é reconhecer quem ajuda a garantir a segurança alimentar, preservar saberes tradicionais, proteger a biodiversidade e impulsionar o desenvolvimento sustentável.
Dos Campos de Cima da Serra à Fronteira Oeste, das Missões ao Litoral, elas estão presentes em todos os cantos do território gaúcho.
São 118.101 histórias de dedicação. São 48.954 protagonistas fortalecidas por ações específicas. São milhares de mulheres presentes nos 497 municípios do Rio Grande do Sul.
Mais do que cultivar a terra, elas cultivam oportunidades. Mais do que produzir alimentos, produzem desenvolvimento. E, longe dos holofotes, seguem semeando aquilo que nenhuma estiagem é capaz de levar: a esperança, a autonomia e o futuro do Rio Grande do Sul.(Por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)
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