Sábado, 01 de agosto de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 1 de agosto de 2026
Os Correios continuam sendo o principal foco de preocupação entre as empresas estatais federais não dependentes e respondem pela maior parte do déficit do setor, segundo avaliação do especialista em contas públicas Murilo Viana.
Na sequência aparecem as empresas ligadas ao setor nuclear, lideradas pela Eletronuclear, enquanto Infraero, Casa da Moeda e companhias portuárias aparecem em um segundo grupo de empresas com resultados negativos.
Os dados do Banco Central mostram que o déficit das estatais federais não dependentes apresentou forte deterioração nos últimos anos. Em junho de 2022, o resultado negativo era de R$ 171,8 milhões. Um ano depois, saltou para R$ 1,5 bilhão e chegou a R$ 1,7 bilhão em junho de 2024.
O pior desempenho da série recente foi registrado em junho de 2025, quando o déficit alcançou R$ 2,6 bilhões. Em junho de 2026, houve uma redução para R$ 1,5 bilhão, mas o resultado permanece muito acima do observado quatro anos antes, indicando que o desequilíbrio financeiro das estatais continua elevado, ainda que tenha perdido intensidade em relação ao pico do ano passado.
“O Correios é disparado o principal problema. Não existe nenhuma outra estatal com um déficit da mesma magnitude”, afirmou o economista. Na avaliação do especialista, dificilmente haverá mudanças estruturais ainda em 2026.
Além do calendário eleitoral, o tema envolve discussões sensíveis sobre privatizações, concessões, redução de quadro de funcionários e reestruturação de empresas públicas. “Este ano ninguém quer tratar desse assunto. Nem governo nem Congresso. Mas, independentemente de quem vencer a eleição, essa discussão será inevitável porque não há como manter essa sangria, principalmente nos Correios.”
Viana ressalta que os Correios ainda são classificados como empresa estatal não dependente, ou seja, não recebem recursos do Tesouro para custear despesas correntes. Caso essa condição seja perdida, a empresa passaria a depender diretamente do Orçamento da União, aumentando a pressão sobre as contas públicas.
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