Quinta-feira, 30 de julho de 2026

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Voltar Conversas difíceis são decisivas para garantir a continuidade das empresas familiares

 

 

 

 

A sucessão empresarial, os conflitos entre gerações e a preservação do legado foram o centro das atenções no painel “Conversas difíceis: Como empresas familiares constroem a continuidade e legado”, realizado no Meeting Jurídico da FEDERASUL. O encontro reuniu Daniel Santoro e Valéria Santoro, com mediação de Renan Bocaccio, e trouxe à tona um tema que atravessa 90% das empresas brasileiras: como enfrentar os dilemas internos para assegurar a longevidade dos negócios.

Embora sejam responsáveis por grande parte da geração de emprego, renda e riqueza no país, as empresas familiares ainda encontram obstáculos para garantir sua continuidade. A resistência em tratar assuntos sensíveis, como a sucessão da liderança, a divisão de responsabilidades entre familiares e a profissionalização da gestão, aparece como um dos maiores entraves. O painel reforçou que o silêncio diante desses temas pode se transformar em crises futuras. “Adiar conversas delicadas pode ampliar conflitos e comprometer a continuidade da empresa, enquanto enfrentá-las de forma planejada fortalece as relações familiares e cria condições para uma transição mais segura entre gerações.”

Do ponto de vista humano, a sucessão foi abordada não como um evento isolado, mas como um processo contínuo. A preparação de novos líderes exige planejamento, desenvolvimento de competências e critérios objetivos para a ocupação de cargos estratégicos. Preservar os valores que deram origem ao negócio não significa impedir sua modernização. Ao contrário, é justamente a capacidade de adaptação que garante que o legado familiar se mantenha vivo em meio às transformações do mercado.

No viés econômico, o debate destacou que empresas familiares são responsáveis por grande parte da geração de empregos e riqueza no Brasil. A falta de governança e de regras claras pode comprometer não apenas o futuro da organização, mas também a estabilidade de milhares de postos de trabalho. Nesse sentido, a sucessão bem conduzida é vista como fator de competitividade e de sustentabilidade econômica.

Já no aspecto institucional, o papel da governança corporativa foi colocado como essencial. Protocolos familiares, conselhos consultivos e acordos societários surgem como ferramentas capazes de separar as relações afetivas das decisões empresariais, reduzindo riscos e aumentando a transparência. Essa estrutura de governança é vista como indispensável para que empresas familiares consigam atravessar gerações sem perder credibilidade.

O debate também refletiu sobre o ambiente econômico atual, marcado por rápidas mudanças tecnológicas, pela reforma tributária e por novas normas de segurança e saúde no trabalho. Nesse cenário, o legado das empresas familiares deixa de ser entendido apenas como preservação patrimonial. Ele passa a incorporar inovação, capacidade de adaptação e formação de novas lideranças. “A sucessão deixa de ser encarada como o fim de um ciclo e passa a representar uma oportunidade de renovação, inovação e perpetuação dos valores da organização.”

Ao reunir especialistas com experiência em governança e estratégia, o painel demonstrou que a continuidade das empresas familiares depende menos da ausência de conflitos e mais da habilidade de construir espaços de diálogo, confiança e planejamento. O consenso entre os palestrantes foi claro: conversar sobre temas difíceis antes que eles se tornem crises é uma das decisões mais importantes para assegurar a perenidade dos negócios e a preservação do legado familiar.

Daniel Santoro, conselheiro em administração e consultor em governança corporativa, destacou que o fortalecimento da tomada de decisão e a geração de valor estão diretamente ligados à capacidade de enfrentar essas conversas. Valéria Santoro reforçou que o diálogo é o instrumento que permite transformar divergências em oportunidades de crescimento.

O painel deixou evidente que o futuro das empresas familiares não se constrói apenas com balanços e números, mas com coragem para enfrentar os temas que muitas vezes são evitados. O silêncio custa caro, mas o diálogo constrói futuro. É nesse espaço de confiança e planejamento que o legado se perpetua, não como memória estática, mas como força viva capaz de atravessar o tempo e se reinventar. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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