Sexta-feira, 14 de agosto de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 14 de agosto de 2026
As recentes declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não devem afetar a relação comercial entre os dois países, segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa. Ele classificou os episódios como questões políticas, sem impacto direto nas relações econômicas.
No fim de julho, Milei esteve em São Paulo para participar da convenção nacional do PL, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência. Na ocasião, chamou Lula de “presidiário”. Dias depois, voltou a atacar o presidente brasileiro, classificando-o como “ladrão” e “corrupto” e questionando as decisões judiciais que anularam suas condenações na Operação Lava-Jato.
Para o ministro, apesar do tom das declarações, a relação comercial entre os dois países deve ser preservada. “Por pior que tenha sido o comportamento do presidente argentino, por mais inconveniente que ele tenha sido, ou no mínimo grosseiro, mal educado, não afeta a relação comercial, que precisa existir”, afirmou. Segundo ele, as relações econômicas são estabelecidas principalmente entre empresas e não devem ser determinadas pelas divergências entre governos.
A Argentina está entre os principais parceiros comerciais do Brasil, ao lado da União Europeia, dos Estados Unidos e da China. No primeiro semestre deste ano, respondeu por 3,98% das exportações brasileiras e por 4,49% das importações.
Márcio Elias Rosa atribuiu a queda das exportações brasileiras para o mercado argentino principalmente à situação econômica do país vizinho. Segundo ele, o fechamento de empresas argentinas reduziu a demanda por produtos industriais brasileiros. A Argentina é um importante destino para bens manufaturados do Brasil.
O ministro também comentou o avanço dos produtos chineses no mercado internacional. Segundo ele, o aumento da produção da China tem provocado impactos em diversos países. Com a retração do mercado interno chinês, parte do excedente é direcionada para outros mercados, aumentando a concorrência com produtores locais.
De acordo com Márcio Elias Rosa, o governo brasileiro triplicou o número de processos de investigação antidumping, inclusive envolvendo produtos chineses. Ele, porém, descartou a adoção de medidas discriminatórias contra a China e afirmou que o caminho é aumentar a competitividade da indústria nacional.
Sobre as restrições à carne bovina brasileira impostas pela China e pela União Europeia, o ministro afirmou que as negociações são conduzidas principalmente pelo Ministério da Agricultura e pelo Itamaraty. Ele destacou que o Brasil busca ampliar as cotas de exportação e reduzir barreiras para seus produtos.
Ao avaliar a indústria brasileira, Márcio Elias Rosa afirmou que o setor apresenta crescimento e defendeu a continuidade da redução dos juros, além de investimentos em pesquisa e inovação. Também citou a regulamentação da inteligência artificial, incentivos para data centers e políticas para minerais críticos como medidas importantes para aumentar a competitividade do país.
Para o ministro, o Brasil precisa ampliar sua capacidade industrial e tecnológica para aproveitar as oportunidades da nova economia. Ele também espera que a indústria mantenha o ritmo de crescimento e que o comércio exterior registre novos resultados positivos nos próximos anos.
(Com informações do jornal O Estado de S.Paulo)
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