Segunda-feira, 17 de agosto de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 17 de agosto de 2026
O Brasil iniciou uma articulação para ampliar a integração das cadeias produtivas de minerais críticos entre os países do Mercosul e o Chile, com foco em insumos considerados estratégicos para a transição energética.
Um acordo de cooperação técnica assinado entre o MME (Ministério de Minas e Energia) e a CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe) prevê a realização de estudos para identificar oportunidades de integração regional, agregação de valor e aumento da competitividade do setor mineral.
A cooperação terá duração inicial de 12 meses e será não reembolsável. Na prática, o trabalho deverá construir um diagnóstico sobre como os recursos minerais e as capacidades produtivas existentes nos países da região podem ser conectados em cadeias produtivas comuns.
Entre as ações previstas está o mapeamento do potencial mineral do Mercosul e do Chile. O estudo também deverá projetar a demanda global por minerais estratégicos ligados à transição energética até 2050.
A iniciativa busca identificar oportunidades de cooperação em diferentes etapas da cadeia, incluindo tecnologia, produção e regulação. A intenção é avaliar não apenas onde estão os recursos minerais, mas também possibilidades de processamento e agregação de valor dentro da própria região.
O acordo prevê ainda a criação de uma base regional de dados minerais e a elaboração de um estudo comparativo dos marcos regulatórios dos países envolvidos. A análise poderá apontar diferenças nas regras nacionais e obstáculos para a formação de cadeias produtivas que envolvam mais de um país.
Outro produto previsto é uma carteira preliminar de projetos estratégicos, que deverá reunir oportunidades identificadas ao longo dos estudos. Também serão realizadas oficinas técnicas para discutir, validar e consolidar os resultados dos trabalhos.
A estratégia ocorre em meio ao esforço do Brasil para ampliar a participação do país nas cadeias globais de minerais críticos e reduzir a concentração da atividade apenas na extração e exportação de matérias-primas.
Nos últimos anos, minerais utilizados em baterias, redes elétricas, veículos elétricos, geração renovável e outras tecnologias passaram a ocupar espaço crescente nas políticas industriais e de segurança econômica de grandes economias.
Ao propor uma abordagem regional, o acordo com a CAF busca avaliar como diferentes vantagens minerais e industriais do Mercosul e do Chile podem ser combinadas para ampliar a produção e o processamento desses insumos na América do Sul.
A região reúne alguns dos principais polos minerais da América do Sul. Argentina e Chile se destacam especialmente em lítio e cobre, enquanto a Bolívia concentra grandes recursos de lítio e busca ampliar sua industrialização.
O Brasil ganha destaque pela diversidade mineral, com reservas relevantes de nióbio, grafite, níquel e terras raras, além de potencial em lítio e cobre. Já Paraguai e Uruguai têm uma indústria mineral menor, com ocorrências de minerais como titânio e urânio no território paraguaio e produção uruguaia mais concentrada em calcário, ferro e outros minerais industriais.
O documento foi assinado em 6 de agosto pelo secretário nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral substituto, Anderson Barreto Arruda, e por representante da CAF.
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