Domingo, 06 de setembro de 2026

Domingo, 06 de setembro de 2026

Voltar Bienal do Mercosul inaugura gestão inédita com copresidência

Porto Alegre viveu, em novembro, uma noite que ficará marcada na memória da cena cultural gaúcha. A Fundação Bienal do Mercosul, criada há quase três décadas como vetor de democratização da arte contemporânea, iniciou um novo ciclo de gestão para o triênio 2026-2028.

A posse da nova diretoria teve dois momentos simbólicos: a apresentação do plano estratégico no Instituto Caldeira, pela manhã, e a solenidade oficial no Museu de Arte Contemporânea do RS (MACRS), ao cair da noite. Nos jardins do museu, cerca de 340 convidados — artistas, empresários, gestores e representantes do poder público — celebraram a chegada de uma gestão que promete reposicionar a Bienal como plataforma permanente de arte contemporânea.

Copresidência inédita

Pela primeira vez, a Fundação será conduzida por um modelo de copresidência, assumido pelo arquiteto e empresário Márcio Carvalho e pela economista e empresária Maria Fernanda de Lima Santin.

Ambos têm trajetória marcada pela atuação na Associação de Amigos do MACRS (AAMACRS), entidade que viabilizou a construção da sede própria do museu após três décadas de espera.

“A escuta e o diálogo são fundamentais para iniciar este novo ciclo”, afirmou Carvalho, em tom de compromisso. Já Santin destacou o propósito de difundir a arte contemporânea para o maior número de pessoas: “A Fundação Bienal do Mercosul está, acima de tudo, nas pessoas que acreditam nela”.

Documento norteador: Escuta e Diálogo

O plano estratégico da nova gestão foi apresentado sob o título “Escuta e Diálogo – Bases para a Gestão 2026-2028”, estruturado em três eixos centrais:

Identidade Territorial: reforçar a Bienal como expressão da arte contemporânea sul-americana, valorizando influências regionais e projetando uma visão coletiva para os próximos 30 anos.
Fortalecimento do Calendário Cultural: conectar a Bienal a outros eventos regionais, nacionais e internacionais, criando uma agenda integrada que culmine em uma apoteose cultural na primavera gaúcha.
Educativo Permanente: reposicionar a Fundação como fomentadora de projetos educativos contínuos, atuando entre as grandes mostras e contribuindo para ações de ESG e impacto social.

Nova diretoria

Além dos copresidentes, a nova diretoria é composta por 12 membros que assumem áreas estratégicas: Ana Espíndola (Relações Institucionais com Mercado), André Jobim de Azevedo (Jurídico), André Malcon (Ativação Transversal nas Artes), André Venzon (Relações Institucionais Culturais), Felipe Braga Corrêa (Administrativo-Financeiro), Gabriela Fontoura Brasil (Social Multifacetada), Gressiana Estevan (Planejamento e Comunicação), Jéssica De Carli (Educativo Permanente), Luciano Faraco (Produção e Projetos Especiais), Rodrigo Azevedo Pereira (Propriedade Intelectual), Vinícius Amorim (Ativação Urbana) e Vitor Ortiz (Relações Institucionais e Governamentais).

Representando o Governo do Estado, o secretário-adjunto da Cultura, Fabiam Thomas.

Agenda inicial

A nova gestão já definiu uma agenda de eventos para o triênio:

2026: itinerância da 14ª Bienal para cidades do RS e do Brasil.
2027: realização do Seminário e Mostra 30+30, celebrando os 30 anos da primeira edição e projetando os próximos 30.
2028: realização da 15ª Bienal do Mercosul.

Continuidade e desafios

A empresária Carmen Ferrão, que presidiu a Fundação em momentos críticos — durante a pandemia e após a enchente de 2024 — destacou a importância da sucessão e da continuidade institucional. “Deixo a presidência com a sensação de dever cumprido. A Bienal foi mais inclusiva, esteve em 18 espaços expositivos e envolveu mais de 40 galerias de arte, além de iniciativas como o projeto A Arte no Prato”, relembrou.

O desafio da nova gestão será consolidar a Bienal não apenas como realizadora de um evento a cada dois anos, mas como instituição permanente, capaz de posicionar Porto Alegre como polo criativo e turístico de relevância internacional.

Festa e celebração

Após a solenidade no MACRS, os convidados seguiram para uma confraternização no Rádio Agulha, espaço noturno da capital. Entre brindes, música e conversas descontraídas, artistas e empresários celebraram a nova etapa da Fundação. O clima festivo reforçou o caráter coletivo da posse e simbolizou o início de uma gestão que pretende unir arte, sociedade e diálogo em torno de um projeto transformador.

A posse no MACRS, a apresentação no Instituto Caldeira e a festa no Rádio Agulha marcaram o início de uma nova etapa para a Fundação Bienal do Mercosul. Com a copresidência de Márcio Carvalho e Maria Fernanda Santin, o pacto de escuta e diálogo e os três eixos estratégicos, a Bienal se projeta como plataforma de vanguarda da arte contemporânea sul-americana.

Mais do que um evento, a Bienal busca se consolidar como instituição transformadora, capaz de unir artistas, empresários, governo e sociedade em torno de um propósito comum: democratizar a arte e torná-la vetor de progresso cultural e social no Rio Grande do Sul e na América do Sul. (Por Gisele Flores)

 

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