Sexta-feira, 29 de maio de 2026

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Voltar Bebidas e R$ 328 mil em charuto: como foi a “farra do uísque” de Daniel Vorcaro para políticos em Nova York

Documentos obtidos pela Polícia Federal (PF) apontam que um evento de degustação de uísque promovido pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em Nova York, custou cerca de US$ 1 milhão, o equivalente a R$ 5,2 milhões na cotação utilizada pelos investigadores.

O encontro, apelidado nos bastidores de “farra do uísque”, ocorreu em maio de 2024 no Carnegie Club, espaço localizado em Manhattan e conhecido por eventos exclusivos envolvendo charutos e whiskies premium.

Segundo a investigação, os gastos incluíram mais de R$ 3,4 milhões apenas com bebidas alcoólicas. Também foram registradas despesas com locação do espaço, charutos, taxas locais e custos administrativos.

De acordo com os documentos analisados pela PF, os valores gastos no evento foram os seguintes:

  • Locação do espaço e charutos: US$ 63,9 mil (R$ 328 mil);
  • Uísque: US$ 674,7 mil (R$ 3,46 milhões);
  • Taxas locais: US$ 137,1 mil (R$ 704 mil);
  • Taxa de administração: US$ 73,8 mil (R$ 379 mil);
  • Outras taxas bancárias: US$ 17.

No total, o custo estimado do evento chegou a US$ 1,023 milhão, equivalente a aproximadamente R$ 5,25 milhões.

Segundo apuração do jornal O Globo, participaram do encontro o senador Ciro Nogueira (PP-PI), os deputados federais Hugo Motta (Republicanos-PB), Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e Doutor Luizinho (PP-RJ), além do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL).

O deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), citado entre os presentes, negou participação no evento.

“Não fui a esse evento. Não bebo uísque e não fumo charuto”, afirmou ao jornal.

O senador Ciro Nogueira também negou ter participado da degustação. Já o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, afirmou que apenas passou em frente ao local enquanto seguia para o hotel e que não entrou no evento.

A investigação da Polícia Federal faz parte de um inquérito que apura a relação entre Daniel Vorcaro e o ex-governador Cláudio Castro. Os investigadores analisam suspeitas envolvendo investimentos realizados pelo Rioprevidência, fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de servidores estaduais do Rio de Janeiro.

Segundo a PF, a proximidade entre Vorcaro e integrantes do governo estadual teria facilitado operações financeiras envolvendo cerca de R$ 3 bilhões em investimentos ligados ao Banco Master.

Mensagens obtidas pelos investigadores mostram que Vorcaro convidou Cláudio Castro diretamente para o evento em Nova York.

“Haverá um evento pequeno. Degustação de whisky”, escreveu o banqueiro ao então governador.

Na sequência, Castro perguntou o horário e o local da reunião e respondeu: “Eu vou”.

A Polícia Federal afirma que, no dia seguinte ao encontro, o Rioprevidência realizou um aporte de R$ 80 milhões em Letras Financeiras do Banco Master. Os investigadores apontam ainda que outros dois investimentos foram feitos posteriormente, nos valores de R$ 80 milhões e R$ 70 milhões.

A corporação investiga possíveis irregularidades na destinação dos recursos públicos e analisa se houve favorecimento indevido nas operações financeiras realizadas pelo fundo estadual.

Até o momento, não houve denúncia formal apresentada pela Procuradoria-Geral da República no caso. Os citados negam irregularidades.

 

(Com O Globo)

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