Sábado, 01 de agosto de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 20 de março de 2025
Nesta quarta-feira (19), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (Bacen) decidiu pela elevação da taxa básica de juros em 1,00 ponto percentual (p.p.), confirmando a segunda das duas altas que haviam sido indicadas na reunião de dezembro do ano passado (quando Roberto Campos Neto era o presidente do Bacen). Com isso, a Selic passou aos 14,25% a.a.. Para a próxima reunião (06/07 de maio), conforme o comunicado, deve haver nova alta, mas em menor magnitude.
Banco Central decidiu pela elevação da taxa básica de juros em 1,00 ponto percentual.
“A decisão do Copom quanto ao aumento da taxa Selic veio dentro do esperado. O que surpreendeu muitos foi a manifestação do Comitê de que haverá, no mínimo, um novo aumento de juros, ainda que em menor medida. O anúncio, em parte, diminui os ruídos relativos à condução da política monetária por um grupo majoritariamente escolhido pelo atual governo, sempre muito crítico à política até então implementada. A autonomia de fato do Banco Central começa a ser testada, e o primeiro sinal é aparentemente positivo. No entanto, cabe-nos lembrar sempre: a taxa de juros não precisaria ser tão alta se houvesse um maior controle das contas públicas, o que levaria a uma trajetória mais sustentável da dívida pública. Como já comentamos anteriormente, em 2025, vamos experimentar uma taxa de juros real historicamente elevada, e assusta pensar que isso pode não ser suficiente para vencer a inflação. Se política fiscal e monetária passam a intensificar a guerra de forças, cedo ou tarde, todos perderemos”, comentou o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn.
Na avaliação do cenário, permanece o ambiente externo desafiador diante das dúvidas associadas ao cenário dos EUA e suas consequências sobre a política monetária do Fed. No cenário doméstico, ponderam-se sinais incipientes de moderação do crescimento em um contexto de dinamismo da atividade econômica e do mercado de trabalho, além da inflação e seus núcleos que seguem acima de meta e com elevação recente, bem como desancoragem adicional das expectativas. No balanço de riscos, prevalece o risco de alta. Nas projeções de inflação do próprio Copom, com câmbio em R$ 5,80/US$ conforme expectativas do Focus (R$ 6,00/US$ na reunião anterior), a estimativa para o IPCA de 2025 passou de 5,2% para 5,1%, e para o 3ºtrim26 foi de 3,9% (horizonte relevante para a Política Monetária).
A alta de 1,00 p.p. era amplamente esperada. O destaque ficou por conta da previsão pelo comitê de mais uma elevação na Selic na próxima reunião, porém em dose menor. Por mais que seja uma sinalização positiva, esperamos que o próximo aumento não seja o último. Assim, novamente, os detalhes da ata a ser divulgada na próxima terça-feira serão importantes, sobretudo para identificar as discussões acerca da preocupação com a atividade econômica e os efeitos defasados da política monetária. Por mais que haja sinais de desaceleração, as expectativas de inflação seguem desancoradas e muito distante da meta. Em um contexto em que há uma contínua busca por estímulos à demanda agregada (ex.: liberação de recursos do FGTS, tentativa de expansão do crédito consignado), a taxa de juros neutra tende a aumentar e assim, o efeito dos juros elevadíssimos pode ser menor que o esperado para leva à inflação à meta. Isso quer dizer que, sem controle da política fiscal, o efeito dos juros maiores perde força e se faz necessário patamares ainda maiores da Selic.
Claudio Bier, presidente da FIERGS, pede fim à escalada de juros
O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS), Claudio Bier, também se manifestou sobre a nova elevação da taxa de juros e disse que a escalada precisa ter fim. Bier entende que decisão do Copom pune o setor produtivo. “Essa escalada de juros precisa ter fim, não dá mais para tentar consertar a economia aumentando a taxa, o remédio está pesado demais”, afirmou Claudio Bier, sobre a decisão desta quarta-feira, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou em um ponto percentual a taxa Selic, para 14,25%.
Ainda segundo Bier, há alguns meses, isso ainda fazia sentido, mas atualmente, empresas perderam o crédito, pararam de investir, os bancos ficaram muito seletivos e a economia está sofrendo as consequências. Para o presidente da FIERGS, a solução passa por outros caminhos, como o governo controlar seus gastos. “Não dá para punir sempre o setor produtivo e a população”, encerrou Bier.
Os comentários estão desativados.