Sexta-feira, 03 de julho de 2026

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Voltar “Arrebatador”, “visceral”: jornais americanos elogiam filme brasileiro indicado ao Oscar

O cinema brasileiro voltou a ocupar espaço de destaque na imprensa internacional com O Agente Secreto, novo longa-metragem de Kleber Mendonça Filho. Exibido em festivais internacionais e escolhido para representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar de Melhor Filme Internacional, o título recebeu críticas entusiasmadas de jornais e revistas dos Estados Unidos, que destacaram a força política e a construção estética da obra.

Ambientado no Recife da década de 1970, durante os anos mais duros da ditadura militar, o filme acompanha um professor universitário que leva uma vida discreta até ser envolvido em uma trama de vigilância e perseguição política. O personagem é interpretado por Wagner Moura, em uma atuação descrita por críticos estrangeiros como “contida e intensa”, capaz de sustentar a tensão do enredo sem recorrer a excessos.

Veículos americanos classificaram o longa como “arrebatador” e “visceral”, ressaltando a forma como o diretor transforma um thriller político em um retrato mais amplo sobre medo, silêncio e resistência. As análises chamaram atenção para o uso do som, da montagem e dos enquadramentos, marcas recorrentes da filmografia de Mendonça Filho, já conhecido internacionalmente por Aquarius e Bacurau.

A imprensa especializada também destacou o cuidado histórico da produção. Segundo as críticas, O Agente Secreto evita explicações didáticas e opta por sugerir o clima de opressão por meio de detalhes cotidianos, o que amplia o impacto dramático. Para alguns jornais, essa escolha aproxima o filme de clássicos do cinema político dos anos 1970, sem perder identidade brasileira.

Além do desempenho de Wagner Moura, o elenco de apoio e a reconstrução de época foram elogiados. A trilha sonora e a fotografia contribuíram para criar uma atmosfera claustrofóbica, apontada como um dos principais trunfos do longa.

Embora ainda precise avançar nas etapas finais da premiação, a recepção nos Estados Unidos reforça o bom momento do cinema nacional no circuito internacional. Para críticos americanos, O Agente Secreto não apenas dialoga com o passado brasileiro, mas também ressoa em um contexto global marcado por debates sobre autoritarismo, memória e democracia.

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