Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 27 de maio de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reuniram no início de maio, na Casa Branca, para discutir temas da relação bilateral entre os dois países. Havia expectativa de que o enquadramento de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas fosse debatido no encontro, mas, segundo o próprio petista, o assunto não entrou na pauta oficial.
O tema, porém, voltou ao centro do debate político na terça-feira (26), após o senador Flávio Bolsonaro afirmar que pediu diretamente a Trump que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) fossem classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas estrangeiras.
Segundo o parlamentar, a conversa ocorreu no Salão Oval e também tratou da liberdade de expressão nas redes sociais no Brasil, pauta frequentemente defendida por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Pedi enfaticamente ao presidente Trump que designe o quanto antes o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras”, declarou o senador.
A possibilidade de enquadramento das facções brasileiras já vinha sendo discutida desde 2025, quando o governo Trump ampliou sua ofensiva contra cartéis de drogas e organizações criminosas da América Latina. O combate ao narcotráfico passou a ser tratado como tema de segurança nacional pela Casa Branca.
Nos bastidores, integrantes do governo norte-americano defendem que facções brasileiras recebam o mesmo tratamento dado a grupos criminosos do México e da Venezuela. Fontes ligadas à gestão Trump afirmam que o secretário de Estado, Marco Rubio, apoia a inclusão do PCC e do CV na lista de organizações terroristas estrangeiras.
No início de março, Rubio comunicou ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que Washington estudava enquadrar as facções brasileiras na lista de grupos terroristas. Segundo relatos, Vieira tentou convencer o governo norte-americano a não avançar com a proposta.
Em abril, o jornal The New York Times informou que a medida vinha avançando dentro do Departamento de Estado dos EUA, impulsionada por aliados da família Bolsonaro junto a integrantes da Casa Branca.
Já em maio de 2025, o chefe interino de coordenação do Departamento de Sanções dos Estados Unidos, David Gamble, pediu oficialmente ao governo brasileiro que classificasse o PCC e o CV como organizações terroristas. O pedido foi rejeitado.
À época, o secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, afirmou que as facções não se enquadram na definição de terrorismo prevista na legislação brasileira.
A Lei Antiterrorismo, sancionada em 2016, define terrorismo como atos motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia ou religião, com o objetivo de provocar terror social ou generalizado.
Segundo o governo brasileiro, organizações como PCC e CV não possuem motivação ideológica, política ou religiosa, atuando apenas com fins lucrativos ligados ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e outros crimes. Por isso, são classificadas no Brasil como organizações criminosas, e não terroristas.
Nos Estados Unidos, entretanto, a interpretação pode ser diferente. Reportagem do The Wall Street Journal apontou que integrantes do PCC já foram identificados atuando em território norte-americano, com registros em estados como Flórida, Nova York, Nova Jersey, Connecticut e Tennessee.
O PCC é considerado atualmente uma das maiores organizações criminosas das Américas, com atuação em cerca de 30 países e mais de 40 mil integrantes, fator que também pesa na avaliação das autoridades norte-americanas sobre um eventual enquadramento como organização terrorista estrangeira.
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