Sábado, 05 de setembro de 2026

Sábado, 05 de setembro de 2026

Voltar Apenas nos últimos 12 meses, 316 milhões de mulheres no mundo sofreram violência física ou sexual do parceiro

Quase uma em cada três mulheres – cerca de 840 milhões em todo o mundo – já sofreu algum episódio de violência doméstica ou sexual ao longo da vida. Apenas nos últimos 12 meses, cerca de 316 milhões de mulheres (11% delas com idade a partir de 15 anos) foram vítimas de violência física ou sexual praticada pelo parceiro.

Divulgada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a estatística pouco mudou desde o ano 2000. “O progresso na redução da violência por parceiro íntimo tem sido dolorosamente lento, com uma queda anual de apenas 0,2% nas últimas duas décadas”, destaca o documento.

Pela primeira vez, o relatório inclui estimativas nacionais e regionais de violência sexual praticada por alguém que não seja o parceiro. É o caso de 263 milhões de mulheres com 15 anos ou mais, conforme ressalta a instituição: “Um número que, segundo especialistas, é significativamente subnotificado devido ao estigma e ao medo”.

A violência contra mulheres é uma das injustiças mais antigas e disseminadas da humanidade e, ainda assim, uma das menos combatidas, avalia o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, acrescentando que nenhuma sociedade pode se considerar justa, segura ou saudável enquanto tanta gente vive com medo:

“Acabar com a violência sexual contra mulheres não é apenas uma questão política, mas de dignidade, igualdade e direitos humanos. Por trás de cada estatística, há uma mulher ou menina cuja vida foi alterada para sempre. Empoderar mulheres e meninas não é opcional, é um pré-requisito para a paz, o desenvolvimento e a saúde. Um mundo mais seguro para as mulheres é um mundo melhor para todos”.

Riscos

A OMS alerta que mulheres vítimas de violência enfrentam gestações indesejadas, maior risco de contrair infecções sexualmente transmissíveis e depressão. “Os serviços de saúde sexual e reprodutiva são um importante ponto de entrada para que as sobreviventes recebam o atendimento de alta qualidade de que precisam”.

O relatório destaca, ainda, que a violência contra mulheres começa cedo, e os riscos persistem ao longo da vida. Ao longo dos últimos 12 meses, 12,5 milhões de adolescentes com idade entre 15 e 19 anos (16% do total) sofreram violência física e/ou sexual praticada pelo parceiro.

“Embora a violência ocorra em todos os países, mulheres em países menos desenvolvidos, afetados por conflitos e vulneráveis ​​às mudanças climáticas são afetadas de forma desproporcional”, ressaltou a OMS.

A Oceania, por exemplo, com exceção da Austrália e da Nova Zelândia, registrou uma taxa de prevalência de 38% de violência praticada por parceiro ao longo do último ano – mais de três vezes a média global, de 11%.

Apelo à ação

Conforme o relatório, mais países têm coletado dados para fundamentar políticas públicas de combate à violência contra a mulher, mas ainda existem lacunas significativas – sobretudo em relação à violência sexual praticada por pessoas que não são parceiros íntimos, e a grupos marginalizados como mulheres indígenas, migrantes e com deficiência.

Para acelerar o progresso global e gerar mudanças significativas na vida de mulheres e meninas afetadas pela violência, o documento apela para ações governamentais decisivas e financiamento com o objetivo de:

– Ampliar programas de prevenção baseados em evidências.
– Fortalecer serviços de saúde, jurídicos e sociais centrados nas sobreviventes.
– Investir em sistemas de dados para monitorar o progresso e alcançar grupos mais vulneráveis.
– Garantir a aplicação de leis e políticas que empoderem mulheres e meninas.

(com informações da Agência Brasil)

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