Domingo, 28 de junho de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 28 de junho de 2026
A menos de um mês do início das convenções partidárias, marcadas para ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto, os principais pré-candidatos à Presidência da República intensificam as articulações para definir os nomes que irão compor as chapas como candidatos a vice-presidente nas eleições de 2026.
Nos bastidores, interlocutores das campanhas apontam que a escolha do vice leva em consideração dois fatores principais: ampliar o alcance eleitoral da chapa e fortalecer alianças partidárias. Além de representar uma sinalização política a determinados setores do eleitorado, um vice de outra legenda pode garantir mais tempo de propaganda no rádio e na televisão durante a campanha.
Para o cientista político Carlos Ranulfo, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o vice raramente transfere votos de forma direta, mas exerce papel estratégico. Segundo ele, a composição da chapa demonstra quais segmentos e partidos o candidato pretende atrair. Já uma chapa formada por integrantes do mesmo partido costuma indicar que o candidato não busca ampliar seu campo de apoio.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já confirmou que repetirá a chapa vencedora de 2022, mantendo o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). A decisão foi defendida por aliados do PSB, que destacam a discrição, a fidelidade política e a atuação de Alckmin nas negociações comerciais diante das tarifas impostas pelo governo norte-americano. No início do ano, integrantes do MDB chegaram a defender que a vaga fosse ocupada por um nome do partido, mas a proposta perdeu força diante das divergências internas da legenda.
Já a pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) trabalha para escolher uma mulher como candidata a vice-presidente. A estratégia busca ampliar a presença da chapa entre o eleitorado feminino e consolidar uma aliança com partidos do Centrão. Entre os nomes mais citados estão as deputadas federais Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE), além da senadora Tereza Cristina (PP-MS). Aliados avaliam que, além de agregar diferentes segmentos do eleitorado, uma aliança com o PP também garantiria maior tempo de propaganda eleitoral.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) pretende anunciar seu vice nos próximos dias. Entre os nomes discutidos está o empresário, escritor e palestrante Geraldo Rufino, filiado ao Podemos. Segundo interlocutores da campanha, Rufino agregaria diversidade à chapa e poderia viabilizar uma aliança com o Podemos, ampliando o tempo de televisão do Novo. Apesar das conversas entre os partidos, ainda não há definição.
Na equipe do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), a escolha do vice ainda não entrou na fase final de negociações. Integrantes da campanha afirmam que a definição deve ocorrer apenas durante o período das convenções. A avaliação é que o cenário político da direita ainda pode sofrer mudanças, especialmente após recentes movimentações envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. A prioridade da campanha, segundo interlocutores, é formar uma coligação que aumente a visibilidade de Caiado na propaganda eleitoral.
Outro pré-candidato que ainda não definiu o companheiro de chapa é Renan Santos, do partido Missão. A expectativa é de que a decisão ocorra nas próximas semanas, durante o período das convenções partidárias. Embora a tendência seja escolher um nome da própria legenda, a campanha não descarta conversas com outras siglas para ampliar sua base de apoio.
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