Sexta-feira, 10 de abril de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 10 de abril de 2026

No almoço “Tá na Mesa” da Federasul, em Porto Alegre, Romeu Zema trouxe uma fala que misturou pragmatismo econômico com contundência política. O pré-candidato à Presidência em 2026 defendeu cortes de gastos públicos como caminho para reduzir os juros, mas foi ao tratar da relação entre poderes que surpreendeu: pediu a prisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, acusando-o de usar o cargo para benefício pessoal e de estar em cumplicidade com o governo federal.
Zema iniciou sua palestra lembrando sua trajetória empresarial e como aplicou princípios de gestão privada ao governo de Minas Gerais. Disse ter rodado mais de dois milhões de quilômetros para implantar lojas em 470 cidades, e que, como governador, abriu mão de privilégios: dispensou o palácio oficial, reduziu cargos comissionados e tornou públicos todos os seus gastos e voos. “Enquanto Brasília coloca 100 anos de sigilo, eu sempre prestei contas no mês seguinte. É isso que o Brasil precisa”, afirmou.
O discurso ganhou força ao detalhar medidas de austeridade que implementou em Minas: corte de 50 mil cargos, renegociação de contratos com até 90% de desconto, e investimentos em infraestrutura e saúde com os recursos economizados. Para ele, esse modelo mostra que “quando não se deixa a raposa perto do galinheiro, o Estado funciona”.
Na parte econômica, Zema foi enfático: “O Brasil é um dos países com juros mais altos do mundo. Isso é um freio de mão na atividade econômica. Se o governo cortar gastos, os juros caem pela metade e a prestação que todo brasileiro paga diminui”. Ele defendeu reformas administrativa e previdenciária, além da revisão de programas sociais, para reduzir a dívida pública e liberar espaço para investimentos produtivos.
O ex-governador também criticou a criminalização do empresariado. “Hoje, quem produz é visto quase como criminoso. É uma pauta da esquerda, que tenta convencer que o pobre é explorado. Mas a verdade é que milhões de pequenos empreendedores carregam o país”, disse, citando exemplos de feirantes e produtores rurais.
Na segurança pública, defendeu endurecimento contra reincidentes: “Quem tiver três ocorrências não pode ser solto em audiência de custódia. Hoje temos criminosos com 88 roubos de celular que continuam livres. Isso é incentivar a criminalidade”.
Zema ainda abordou o potencial do Brasil em segurança alimentar, energética e mineral. Lembrou que Minas Gerais, sob sua gestão, passou a exportar mais produtos agrícolas do que minérios, após flexibilizar regras ambientais para irrigação e barragens. Citou o nióbio de Araxá como exemplo de produto de alto valor agregado que deveria ser replicado em outras áreas minerais. E criticou o “modismo” de soluções energéticas, defendendo maior valorização do etanol e da matriz hidroelétrica nacional.
Ao final, endureceu contra o Supremo: “O que eles fizeram é criminoso. Merecem não só impeachment, mas prisão. É usar o cargo para benefício pessoal. Isso está claríssimo”. A fala, recebida com aplausos por parte da plateia, marcou sua estratégia de se apresentar como candidato disposto a enfrentar privilégios e confrontar instituições. (por Gisele Flores – Gisele@pampa.com.br)
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