Segunda-feira, 22 de julho de 2024

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Voltar Vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin diz estar “superfeliz” na equipe de Lula; ex-governador não revela seus planos para 2026

Ex-governador de São Paulo, atual vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin afirma estar “superfeliz” na equipe de Luiz Inácio Lula da Silva e não dá pistas sobre planos políticos para 2026. Quer ser vice novamente, vai concorrer a presidente, ao Palácio dos Bandeirantes ou ao Senado?

“O futuro a Deus pertence”, disse ele recentemente. Sem querer tratar de 2026, Alckmin já começou a planejar como será 2024. Na capital paulista, promete subir no palanque de Tabata Amaral (PSB) à prefeitura, mas, para fazer um aceno à esquerda, chama Guilherme Boulos (PSOL), o candidato do PSOL apoiado pelo PT, de “companheiro Boulos”.

Picolé

Adversário do PT até formar a inusitada dobradinha com Lula, em 2022, Alckmin surpreendeu seus antigos parceiros ao virar a chave política. Saiu do PSDB após 33 anos de filiação e uma temporada de embates nas fileiras tucanas, aposentou o apelido de “picolé de chuchu” e se transformou em um showman nas redes sociais.

Agora, o homem que já assumiu 11 vezes a Presidência da República – sem nunca sentar na cadeira ocupada por Lula – apela até mesmo para o “latinório” em sua incursão pelo ciberespaço. “Fui coroinha no tempo do latim”, lembra. “E quem me elegeu foram os jovens. Com 24 anos, fui prefeito de Pindamonhangaba, pelo Manda Brasa, MDB. Só que o tempo passa, né?”

No Congresso, porém, até parlamentares de partidos aliados do governo dizem que o vice atua numa espécie de campo minado, sem se posicionar sobre determinados temas para não se indispor com Lula nem com o PT.

“Ele parece que está sempre pisando em ovos: não é arestoso nem espinhento”, definiu o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ). “Mas o lado ‘picolé de chuchu’ dele ajuda e, com esse jeito afável, conquistou o pessoal da esquerda.”

A discrição de Alckmin guarda semelhança com a do autor da frase “Tudo pode acontecer, inclusive nada”, que marcou a transição da ditadura para a Nova República. “O estilo do Alckmin é o mesmo daquele de Marco Maciel”, resumiu o deputado Mendonça Filho (União Brasil-PE), numa referência ao vice de Fernando Henrique Cardoso nos dois mandatos.

Meias

Foi da segunda-dama, Lu Alckmin, a ideia de vestir Alckmin com meias divertidas, que viraram uma marca registrada. “A Lu é modernosa”, descreveu o vice. “Ele é todo sério. Então, pelo menos a meia é diferente…”, justificou ela.

Uma dessas peças foi parar nos pés da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja. É que, em junho, Alckmin havia dado de presente para Lula dois pares de meia: um com o boi-bumbá Garantido e outro com o Caprichoso. Como a dupla participa de uma ferrenha disputa no Festival Folclórico de Parintins (AM), Lula não quis tomar partido. Janja, porém, seguiu o conselho de Alckmin e usou um pé do Garantido e outro, do Caprichoso.

No governo, Alckmin também se equilibra com um pé aqui e outro lá: entre o ministério e a vice-presidência; entre o PT e seus antigos eleitores tucanos, mais conservadores; entre o hidrogênio verde e o agronegócio. Despacha até sábado e domingo de manhã, com pausa para café, muitas vezes na rodoviária de Brasília.

“É bom e barato”, recomenda. Foi lá que ele levou o economista Jânio Quadros Neto para tomar um cafezinho no dia 7 de novembro, quando completou 71 anos. Mas a lista de preferências de Alckmin não se resume à rodoviária e, vez ou outra, inclui confeitarias com sotaque francês, como na véspera deste Natal, quando se encontrou novamente com Carlos Siqueira. “Só que aí quem convida é que paga, né?”, explica.

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