Segunda-feira, 02 de fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 1 de fevereiro de 2026

Porto Alegre viveu nesse domingo (1º) uma manifestação de repúdio ao crime que resultou na morte do cão comunitário Orelha. O episódio gerou ampla comoção social, alcançando repercussão nacional e reacendendo debates sobre ética, empatia, segurança, saúde pública e convivência urbana.
A vice-prefeita de Porto Alegre, Betina Worm, que também é médica veterinária, se manifestou de forma firme sobre o caso. “Para a maioria da população, o crime cometido contra Orelha é de difícil compreensão, dada a extrema crueldade empregada. Entendo que este caso deva ser analisado como uma conduta que extrapola o conceito de maus-tratos – que, por si só, já é gravíssimo — e seja tratado como crueldade contra animais de fato, em razão da intensidade, do dolo evidente e da gravidade jurídica”, afirmou.
Clamor por justiça
Betina Worm destacou que a expectativa coletiva é de rigor absoluto na apuração dos fatos e responsabilização de todos os envolvidos. “A sociedade não aceita mais que crimes dessa natureza sejam relativizados. O que aconteceu com Orelha é uma barbárie que exige resposta rápida e firme das autoridades”, disse.
Ela também comentou sobre o impacto social do episódio, que provocou manifestações nas redes sociais pautadas por discursos de retaliação, sintetizados na expressão “olho por olho, dente por dente”. “Precisamos transformar essa indignação em políticas públicas efetivas, em educação e em conscientização. A violência contra animais não pode ser banalizada, nem servir de combustível para discursos de ódio. O caminho é o fortalecimento da legislação e da cultura de respeito à vida”, pontuou.
Políticas para cães comunitários
A vice-prefeita lembrou que, antes mesmo do ocorrido, Porto Alegre já vinha adotando medidas de proteção aos animais comunitários. “Desde o ano passado, a Prefeitura vem desenvolvendo um trabalho atento e responsável em relação aos cães comunitários, que são presença constante na cidade e alvo de políticas de cuidado, zelo e proteção”, explicou.
Em janeiro de 2026, foi oficializado o Cadastro de Animal Comunitário, iniciativa que mapeia esses animais e qualifica a atenção prestada, incluindo vacinação, castração e cuidados com a saúde. “Esse cadastro é fundamental para garantir que os cães comunitários recebam acompanhamento adequado. Eles são mantidos e protegidos pela própria comunidade, e o poder público tem o dever de apoiar esse vínculo”, ressaltou.
Compromisso institucional
Segundo Betina Worm, o caso Orelha deu ainda mais visibilidade ao trabalho do Gabinete da Causa Animal, que coordena as ações de proteção. “Estamos fortalecendo políticas que já vinham sendo construídas e que agora ganham maior relevância diante da comoção social. O episódio nos mostra que precisamos avançar ainda mais, ampliando campanhas de conscientização e garantindo que a legislação seja aplicada com rigor”, disse.
Agenda em Santa Catarina
A vice-prefeita também anunciou que, na próxima semana, estará em Santa Catarina para dialogar com a prefeitura local sobre políticas de proteção animal e integração de iniciativas regionais. “É fundamental que cidades vizinhas troquem experiências e fortaleçam redes de cuidado. O caso Orelha nos lembra que a causa animal não tem fronteiras e exige cooperação entre municípios”, enfatizou.
Ela concluiu sua fala com um apelo à sociedade: “Orelha representa milhares de animais que vivem em nossas ruas e praças. A forma como cuidamos deles revela quem somos como comunidade. Que a dor causada por esse crime se transforme em mobilização permanente pela defesa da vida e pelo respeito aos animais.” (Por Gisele Flores)
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