Domingo, 11 de outubro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 10 de outubro de 2026
Pela primeira vez a Organização Mundial de Saúde (OMS) deu orientações sobre o tratamento de obesidade para crianças e adolescentes, considerando a faixa etária de 0 a 19 anos. O documento, embora não seja específico sobre quais tratamentos usar para diferentes perfis, assume que tanto medicamentos (incluindo as canetas emagrecedoras) quanto cirurgias podem ser utilizadas, quando necessárias, a partir dos 10 anos.
A entidade apontou que esse tipo de cuidado, com os remédios, “pode ser considerado apenas quando um programa multimodal supervisionado de mudança de estilo de vida não tiver alcançado os resultados desejados”. A cirurgia bariátrica tem indicativos ainda mais limitados, somente após os 10 anos de idade. Segundo a OMS, a operação poderá ser considerada “sob condições rigorosas, para adolescentes com obesidade grave”.
Para os menores, de 0 a 9 anos, a organização indica “intervenções estruturadas” que envolvam dieta, atividade física e mudanças comportamentais. A ideia é que haja uma abordagem multidisciplinar que inclua até o que foi chamado de “intervenções de saúde digital”, como videogames que incentivem o movimento do corpo — desde que essa atividade seja supervisionada por pais ou responsáveis .
“A mensagem por trás destas diretrizes é simples. Crianças e adolescentes que vivem com obesidade precisam de acesso a um cuidado eficaz, baseado em evidências e centrado na pessoa. A dimensão do desafio é significativa”, disse Luz Maria de Rejil, diretora do Departamento de Nutrição e Segurança Alimentar da OMS, em coletiva de imprensa realizada pela organização.
As diretrizes não orientam especificamente sobre os análogos de GLP-1 (as chamadas canetas emagrecedoras), mas incluem esse tipo de medicamento em meio a diversas outras drogas que podem ser usadas no emagrecimento, como as que atuam na absorção de gordura pelo intestino e as que controlam níveis de açúcar no sangue.
Em relação aos medicamentos análogos ao GLP-1, as canetas, para esses e outros públicos, ainda restam dúvidas. Há, por exemplo, questionamentos sobre tempo de uso adequado dessas drogas — e seus efeitos relacionados — e também manutenção da dosagem após a perda de peso. Ou seja, a organização reconhece que é difícil determinar quanto tempo deve durar o tratamento mesmo em adultos, e isso é ainda mais presente em pessoas com tão pouca idade. Sobre essa questão, a OMS diz que segue acompanhando avanços de análises e estudos relacionados para atualizar o guia quando necessário.
Em conversa coma imprensa, Rejil ainda ressaltou que o tratamento clínico não é o único método possível diante do volume crescente de casos de obesidade infantil. De acordo com a própria OMS, em todo o mundo, 170 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos viviam com obesidade em 2014. Do total, 70 milhões estavam na faixa etária de 5 a 9 anos e mais de 100 milhões de adolescentes de 10 a 19 anos. A abordagem diante de números tão grandes, aponta a especialista, requer ações coordenadas com diversos setores da sociedade.
Foco no peso
A chegada de um guia sobre o tema, aponta Ricardo Cohen, coordenador do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo, e ex-presidente da Federação Internacional de Cirurgia da Obesidade e Distúrbios Metabólicos (IFSO), é positiva, uma vez que se reconhece a necessidade de tratar a obesidade ainda na juventude. Ele considera, porém, que os critérios para determinar quem deve ser tratado não são os mais atualizados. O documento, ele diz, é muito centrado no peso do individuo e pouco em outros indicadores.
Cohen explica que, desde janeiro de 2025, a comunidade científica indica que é mais adequado priorizar quem receberá tratamento da doença por meio de sinais e sintomas (que podem se manifestar em 18 tipos para os adultos e 13 variáveis para as crianças) do que usar apenas uma variação do Índice de Massa Corporal (IMC) como o material da OMS faz. A publicação desse novo tipo de priorização do tratamento da obesidade foi publicada no periódico The Lancet Diabetes & Endocrinology, com a participação de Cohen.
Ele diz que o acesso também pode ser o fiel da balança para decidir qual abordagem é melhor.
Adultos
Em dezembro do ano passado, a OMS já tinha movido-se em direção aos medicamentos capazes de promover a perda de peso. Mas dessa vez adultos. Na publicação, a entidade indicava que esse tipo de prescrição deveria, mais uma vez, estar apoiada “como parte de uma abordagem integral que inclui dietas saudáveis, atividade física regular e apoio de profissionais de saúde”.
Na publicação foi recomendado o uso desses medicamentos para os adultos em geral, exceto as grávidas, para tratamento da obesidade. A mesma entidade, porém, levanta dúvidas sobre o uso prolongado com as mesmas drogas, por conta de “dados limitados sobre sua eficácia e segurança em longo prazo”. (Com informações do jornal O Globo)
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