Quinta-feira, 11 de agosto de 2022

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Voltar Usar cotonete não é indicado por médicos; otorrino explica riscos

O hábito de limpar os ouvidos com cotonete é comum para a maioria dos brasileiros, mas o uso do pequeno objeto representa grandes riscos. As hastes flexíveis não são recomendadas pelos especialistas, que explicam qual é a forma adequada de fazer a limpeza dos ouvidos e combater a cera.

O otorrinolaringologista Gabriel Caetani conta que o ouvido tem um sistema autolimpante, com o crescimento e descamação das células da pele do ouvido, que caem para fora. Por isso, boa parte da população não precisa fazer nenhum tipo de limpeza, mas há algumas pessoas que relatam incômodo ao sair do banho por causa da umidade na região mais externa da orelha.

Nesse caso, não há problema em secar a área com um papel toalha ou papel higiênico utilizando o dedo indicador, lembrando que isso deve ocorrer somente na parte externa do ouvido. Ali, pode se acumular o cerúmen, secreção produzida pelo ouvido nas áreas mais externas, onde há glândula sudoríparas e pelos.

“O cotonete não é considerado uma das formas de limpeza do ouvido. Quem tem cera em excesso deve procurar um especialista, mas é uma parte muito pequena da população que tem necessidade de limpeza eventual”, explica Gabriel.

Quais são os riscos?

O otorrino avalia que o maior risco do uso do cotonete é a da perfuração do tímpano. Nos traumas mais intensos, essa perfuração não se fecha e o paciente precisa fazer uma cirurgia para reconstruir o órgão que foi rompido. Além disso, utilizar o objeto acaba tirando as barreiras de proteção do ouvido e facilita a entrada das bactérias, o que pode causar uma otite externa.

Gabriel conta que é comum atender pacientes nas emergências que machucam o ouvido por desatenção na hora de limpar a orelha com um cotonete e até com outros objetos, como canetas e chaves.

“São três ossos que amplificam nossa audição junto com o tímpano: o martelo, a bigorna e o estribo. O martelo fica muito próximo do tímpano, e a perfuração pode desarticular esses ossículos e prejudicar a audição”, avalia o otorrino.

A cera faz mal?

A resposta simples é não. O otorrinolaringologista explica que a cera é vista como uma “sujeira” devido ao seu aspecto amarelado e oleoso, e por isso ficamos com a sensação de que estamos limpando o ouvido ao retirá-la. Mas é o contrário: essas são as características que impedem a entrada de líquidos no ouvido, além de bloquear a entrada de insetos. A cera tem também componentes bactericidas, que impedem a proliferação de bactérias.

“Existem funções para a cera. Ela não é sujeira, apesar de aparentar ser suja. E causa um alívio momentâneo para quem limpa, mas isso tem seus pontos negativos”, ressalta Gabriel.

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