Sexta-feira, 20 de maio de 2022

Sexta-feira, 20 de maio de 2022

Voltar Universidade de Portugal decide demitir professor que chamou brasileiras de mercadoria

Denunciado por alunos da Universidade do Porto por afirmar, entre outras frases machistas e xenófobas, que as “brasileiras são mercadoria”, o professor Pedro Cosme Vieira, da Faculdade de Economia, teve sua demissão proposta pelo Senado da instituição. A decisão, aprovada pela maioria do órgão, foi publicada em despacho no Diário da República no final de fevereiro.

Antes de aprovar e publicar o pedido de demissão, a Universidade havia suspendido o professor por 90 dias devido aos comentários, que foram denunciados em um documento assinado por 129 alunos em 2021.

O despacho, assinado pelo reitor António Sousa Pereira, foi justificado “tendo em conta os comportamentos descritos e provados que resultam do Relatório Final”.

O professor, que ensinava Introdução à Economia na Faculdade de Letras, teria dez dias úteis para recorrer. Não tinha feito até o início de março. Um novo despacho trará a decisão final.

Decote

Também corre na Universidade do Porto uma investigação que poderá acabar em outra punição a um professor da Faculdade de Direito. Ele se negou a entregar uma prova à aluna brasileira que estaria “muito destapada”, ou decotada. O caso teve ampla repercussão graças à denúncia online dos alunos do núcleo HeForShe da Faculdade de Economia.

Na última semana, uma reportagem sobre a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL) publicada no Diário de Notícias revelou dados novos sobre o assédio sofrido pelos alunos.

Um relatório será entregue ao Ministério Público, mas entre os alunos há a expectativa sobre qual será a decisão da FDUL, que em 2020 suspendeu Francisco Aguilar após o professor de Direito ser denunciado ao comparar o feminismo ao nazismo.

A abertura de um canal de denúncias pela instituição já pode ser considerado um pequeno avanço diante daquilo que especialistas detectaram como despreparo nas instituições de ensino portuguesas.

Em 2019, o jornal O Globo publicou reportagem sobre o estudo das investigadoras brasileiras Juliana Chatti Iorio e Silvia Garcia. Elas revelaram discriminação a estudantes brasileiros em Portugal e falta de preparo dos professores diante do crescimento das matrículas de alunos internacionais.

Paus e pedras

Naquele mesmo ano, estudantes portugueses da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa colocaram um caixote com pedras e paus para atirar nos brasileiros. Em 2020, muros de escolas e universidades de Lisboa foram pichados com frases racistas contra estudantes brasileiros, maioria entre os estrangeiros.

Casos semelhantes acontecem em grandes cidades e instituições. Durante a pandemia de Covid-19, foi criado um perfil numa rede social com frases xenófobas e machistas contra brasileiros e brasileiras. A autoria da página era creditada a um grupo da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Na Universidade do Minho, em Bragança, alunos denunciaram no fim de 2021 um porteiro. Ele teria assediado alunas que habitavam a residência estudantil. Houve protesto, denúncias e a instituição acabou por prometer acatar algumas reivindicações dos alunos, como a criação de um grupo de combate ao assédio.

A estudante de filosofia Carlota Silva ajudou a criar a conta de Instagram @denuncia.uminho, que tem 136 publicações com relatos de assédio. Ela afirma, com base em uma notícia do jornal universitário “ComUM”, que o caso foi arquivado em fevereiro por falta de provas.

“Não foi culpado por nada. Estamos a aguardar, porque não há comunicado se ele voltará a prestar os seus serviços como porteiro. Se os alunos se sentem seguros? Não. As vítimas estão a sofrer porque não houve uma continuação do processo como era esperado”, lamentou Carlota.

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