Sexta-feira, 14 de junho de 2024

Sexta-feira, 14 de junho de 2024

Voltar Um a cada três prefeitos muda de partido em cidades grandes

Sem amarras da legislação eleitoral, 31 prefeitos dentro de um grupo de 96 cidades grandes — capitais e municípios com mais de 200 mil eleitores, aptos a ter segundo turno — trocaram de partido antes das eleições municipais de 2024. Os movimentos são puxados principalmente por legendas como PSD e Republicanos, que avançaram sobre o espólio do PSDB em São Paulo, e envolvem também disputas por espaço com siglas como União Brasil, PP e MDB, em uma prévia das eleições para o comando do Congresso no início de 2025.

Este conjunto de cidades, que reúne quatro em cada dez eleitores do País, é priorizado pelos partidos tanto por seu peso eleitoral quanto pela repercussão regional e até nacional de suas gestões. O PSDB elegeu o maior número de prefeitos, 18, mais da metade em São Paulo, estado que os tucanos governaram de forma ininterrupta por quase três décadas. Após a perda do Palácio dos Bandeirantes em 2022, o partido também levou o maior tombo, com sete desfiliações — sendo quatro de prefeitos paulistas.

A troca mais recente foi a do prefeito de Santos, Rogério Santos, que migrou para o Republicanos do governador Tarcísio de Freitas, seu aliado. Além de assegurar a aliança com Tarcísio, pesou a favor da troca o fato de o ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, também ser filiado ao partido. Na véspera de sua filiação ao Republicanos, o prefeito se reuniu com Costa Filho, que anunciou investimentos para o Porto de Santos

“O PSDB infelizmente deixou de ter protagonismo nacional. Para um prefeito é importante ter portas abertas, tanto a nível estadual quanto no governo federal, e isso eu encontrei no Republicanos”, afirmou o prefeito.

Outras trocas

À frente do Republicanos, que angariou cinco novos prefeitos em cidades grandes desde 2020, o PSD fez sete filiações e hoje acumula o maior número de gestores, 13, neste conjunto de municípios. Houve filiações relevantes em São José dos Campos (SP), do prefeito Anderson Farias, ex-tucano, e em quatro capitais: Rio, Curitiba, Florianópolis e São Luís.

À exceção desta última, as outras três cidades tinham prefeitos eleitos pelo DEM, que originou o União Brasil, um dos concorrentes do PSD pela sucessão de Arthur Lira (PP-AL) à presidência da Câmara. Além da sigla de Gilberto Kassab, que deve lançar o deputado Antonio Brito (PSD-BA) à cadeira de Lira, o Republicanos busca cacifar um nome: seu presidente nacional, Marcos Pereira (SP). O União deve lançar Elmar Nascimento (BA), com apoio de Lira.

Embora atribuam o troca-troca partidário de prefeitos a questões locais e à falta de restrições na lei eleitoral, dirigentes desses partidos também admitem, em caráter reservado, que o fluxo serve de termômetro para novas correlações mirando 2026.

O avanço do PSD nas cidades grandes, por exemplo, vem sendo freado neste ano por concorrentes. O PP filiou no Rio dois prefeitos egressos da sigla de Kassab: Neto, em Volta Redonda, e Wladimir Garotinho em Campos. Na Paraíba, o União marcou para o próximo mês a filiação do prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima (PSD).

Crise de identidade

Já o MDB, embora tenha assumido a prefeitura de São Paulo com Ricardo Nunes, perdeu capilaridade com desfiliações e crises internas. Em Feira de Santana (BA), o prefeito Colbert Martins rivaliza com o próprio partido, que lançará uma candidatura em aliança com governador Jerônimo Rodrigues (PT).

“Não acompanho a linha do diretório estadual do MDB, de apoio ao PT. Vou discutir minha sucessão com outros partidos da base, como União Brasil, PSDB e Republicanos”, diz Martins.

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